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A importância do sorriso
O sorriso não é o mesmo
que o riso. Separa-os um fosso tão grande como o que separa as lágrimas
silenciosas diante de um desgosto dos gritos histéricos e lancinantes de quem
não sabe dominar-se. Bergson escreveu: “O riso é algo que irrompe num estrondo e
vai retumbando como o trovão na montanha, num eco que, no entanto, não chega ao
infinito”. O sorriso, pelo contrário é silencioso como chuva mansa que cai e
fertiliza a terra ou como brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Enquanto
o riso é extroversão, o sorriso desvenda delicadamente o interior de quem
sorri.
O poder do sorriso é grande e saber sorrir é
algo de muito importante. Antoine de Saint-Exupéry diz: “No momento em que
sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso
quer dizer que nós também somos pessoa para ele”.
O sorriso traduz, geralmente, um estado de alma;
é um convite a entrar na intimidade de alguém, a participar do que lhe vai no
íntimo. É por isso que o homem é o único animal que sorri, e como é dotado de
inteligência e vontade pode sorrir quando tudo vai bem ou sorrir mesmo que as
coisas corram menos bem – tudo se resume na harmonia interior.
O sorriso é o que primeiro acontece quando um
rapaz e uma rapariga se olham e se enamoram. Não sabem explicar por que se
enamoram, mas é-lhes impossível deixar de sorrir um para o outro, num sorriso
cúmplice de quem não precisa de palavras para dizer o que sente. Se o
enamoramento continua vem a fase em que, juntos, acham graça a tudo, sem
prestarem atenção a nada do que os rodeia. Então, por vezes o seu sorriso
muda-se em riso estrondoso, mas cristalino manifestando toda a força da sua
juventude. Se o enamoramento leva ao namoro e este em amor que leva ao casamento
estável, então saber sorrir é fundamental para vencer o desgaste da rotina do
dia a dia e para evitar o afastamento de dois seres que vivendo muito perto,
estão interiormente afastados – não estão em sintonia.
É pois muito importante saber sorrir. Um sorriso
pode dissipar uma angústia se for simpático ou aumentá-la se for sarcástico;
pode estimular um trabalho se for de aprovação ou desanimar quem trabalha se for
cínico; pode criar uma amizade se for sincero e transparente ou um afastamento
se for hipócrita; pode humilhar de modo irreversível se não for autêntico e
espontâneo.
O sorriso pode ser um grande auxiliar na
educação. Não o sorriso que pactua com a asneira, mas o sorriso que acompanha
uma repreensão justa e que mostra ao visado que apesar da dureza e firmeza da
repreensão há amizade e compreensão.
Sorrir porém, pode ser uma tarefa difícil. A dor
e o cansaço tornam, por vezes, o sorrir muito árduo. Se há fortaleza interior
então há sorriso, mas dorido. Perguntaram um dia a uma doente em grande
sofrimento: “Como te sentes?”. A resposta foi desconcertante: com um
sorriso-dorido respondeu: “dói-me tudo”.
Mas como anda desvirtuado o sorriso! Será que
podemos chamar sorriso o que vemos no rosto dos que assinam os «tratados de paz
e cooperação»? Não, o que vemos não passa de um esgar.
E termino com uma frase que vinha num calendário
de bolso que me deram: “Não critique, ajude; não grite, converse; não acuse,
ampare e ... não se irrite, sorria”.
Maria
Fernanda Barroca

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