O que sobrar
Há pouco mais de um ano
decorreu no Parlamento um colóquio sobre diversas questões da política de
família. Um dos conferencistas, perante dezenas de pessoas incluindo
governantes e deputados, fez uma previsão que registei: «Nesta campanha
eleitoral há dois assuntos sérios: o deficit e o desemprego. Mas depois das
eleições as prioridades serão legalizar o aborto e a eutanásia (pois se há
um direito de pais mandarem matar os filhos, haverá um direito dos filhos
mandarem matar os pais), casamento de homossexuais, salas de chuto,
doutrinação sexual nas escolas com máquinas de distribuição de
preservativos, a pílula abortiva à venda em supermercados, uma lei de
reprodução artificial cavernosa.»
Um ano depois pode-se fazer
o balanço: a) o ministro das finanças nomeado para travar o deficit
saiu exausto e quebrado; b) o desemprego aumentou, mas desapareceu dos
discursos; c) na tomada de posse o PM anunciou que os medicamentos de venda
livre (como a pílula do dia seguinte, um abortivo) passariam a ser vendidos
fora das farmácias; d) a grande medida dos primeiros 100 dias de governo foi
a trapalhada do referendo ao aborto; e) o Ministro da Saúde anunciou que
iria convencionar os abortos com clínicas privadas e andou em conversas com
uma clínica espanhola; f) foi noticiado que este ano o número de abortos nos
hospitais públicos aumentou mais de 50%; g) a RU-486, a pílula que mata
crianças até às 9 semanas, a pílula produzida pela empresa que forneceu o
gás do Holocausto – coincidência sugestiva –, a pílula cujo fabricante
reconheceu ter morto 5 mulheres nos EUA, acaba de ser disponibilizada nos
hospitais portugueses como primeiro passo em direcção à venda livre; h) o
casamento dos homossexuais está aí em força; já se seguirá adopção; i) o
Parlamento prepara-se para aprovar uma das leis de reprodução artificial
mais sanguinárias do mundo; uma lei desenhada para permitir que sejam feitas
em Portugal as experiências com seres humanos que os outros países querem
fazer, mas cujas leis não permitem. j) o governo nomeou uma comissão (com
que critérios?) para estudar o problema da educação sexual na escola que, em
documento ridículo, avançou copiando o que de pior se faz lá fora: a criação
de delegações do centro de saúde dentro da escola (school based clinics)
e a colocação de máquinas de preservativos, as duas medidas que desde os
anos 70 mais têm feito disparar os números de gravidez adolescente, doenças
de transmissão sexual e aborto. E os professores vão continuar obrigados a
espalhar a mentalidade que fez com que o índice de fecundidade descesse para
menos dos 2.1, que é o mínimo para assegurar os empregos dos professores, a
sustentabilidade da segurança social, e o crescimento económico necessário à
eliminação do deficit e do desemprego; assim como passarão a ser obrigados a
ensinar que heterossexualidade e homossexualidade valem o mesmo, que têm a
mesma expectativa, é só optar.
Não só no final da
legislatura os problemas não estarão resolvidos, como estarão muito mais
complicados. E a oposição evaporou-se. É triste.
Viva Portugal!! Ou o que
dele sobrar.
manuelbras@portugalmail.pt