Reflexão sobre a Família (2)

 Alguém definiu a Família como uma “comunidade de serviço”. E é-o de facto. De serviço ao acolhimento da vida. De serviço ao amor na reciprocidade dinâmica. De serviço na partilha das tarefas domésticas. De serviço à escuta activa de todos os seus elementos e de cada um em particular. De serviço ao respeito mútuo, na diferença que gera riqueza e na unidade de um projecto de vida comum criador da unidade indispensável à coesão da Família como grupo social fundamental. A Família, cada família, é, assim, uma comunidade geradora de comunhão e esta é que lhe dá sentido e identidade. Por isso, porque a Família é comunhão de pessoas “alimentadas” pelo Amor e estruturadas neste, tudo o que propicia ou desenvolve conflitualidade deve ser de expurgar. A violência (as violências) estão neste campo. A violência, sob qualquer forma, aniquila o Amor e, consequentemente, “mata” a Família. O perdão, pelo contrário, bem assim como a tolerância e a compreensão, reforçam os laços e as cumplicidades positivas. Constroem Família. Como não há homens nem mulheres perfeitos, também não há famílias perfeitas. Mas há homens e mulheres que buscam com afinco a perfeição. Assim suceda com as famílias. Todas podem e devem fazer um esforço no sentido de aperfeiçoarem os mecanismos de relação, com o diálogo e a escuta. Com muita tradição. Não é a Família uma comunidade de serviço? Onde todos procuram estar atentos aos outros e não à espera de serem servidos!

 Carlos Aguiar Gomes

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