Quer
corromper a sociedade?
Quer mesmo corromper a sociedade? Pois então comece por corromper a
mulher e quanto mais cedo melhor.
Senão vejamos o que se passa com as meninas no capítulo dos brinquedos.
Há uma marca de bonecas em que as mesmas são apresentadas não como bebés
ou crianças, mas como mulheres jovens e sensuais. Vestem-se ou melhor
despem-se com roupas provocantes e indecentes; têm um guarda-roupa, em
miniatura, claro, imitando o que há de mais caro e provocante na vida
real, levando assim as crianças, desde muito cedo a procurar imitá-las.
Agora para cúmulo foi lançado um novo modelo dessa marca, em que a
boneca aparece grávida. Até aqui não haveria, em princípio, reparo a
fazer, uma vez que muitas crianças vêem assim as suas mães quando estão
à espera de um irmãozinho. Podia até ser uma ajuda, se criteriosamente
bem aproveitada, para que uma mãe pudesse ter uma conversa atempada e
ajustada com a sua filha pequena, sobre questões sexuais. Estarei a ser
utópica? Talvez não. O que é preciso é saber tirar partido das ocasiões
e quando elas aparecem com naturalidade mais profícua se torna a
conversa.
Mas o meu reparo e protesto vai para o facto da boneca «grávida» ser
acompanhada por um boneco chamado, não o «marido», mas o «namorado», tal
e qual como acontece na vida real em muitos casos.
A criança, muito cedo, associa a gravidez com o namoro e não com o
casamento e assim ao chegar à idade própria para ela tanto valor tem a
continência como as relações pré-matrimoniais. Vai sendo criada na mente
da criança que as uniões de facto são coisa aceitável e que o
Matrimónio, o amor com compromisso, é uma coisa do século XIX!
De facto, a nossa juventude já não sabe namorar sem ter relações sexuais
e isto foi-me dito na cara por uma jovem de 22 anos: Então julga que
quando vamos em grupo passar férias, rapazes e raparigas, quando há
pares de namorados eles dormem em quartos separados; nem pensar nisso,
partilham a mesma cama! Sem comentários.
E assim bem cedo, desde crianças, vão-se mentalizando de um modo
deturpado e quando chega a idade própria não sabem reagir ao primeiro
convite.
Eu falei em idade própria, mas confesso que não sei qual é, uma vez que
Portugal vai à frente no número de mães adolescentes e solteiras, como
também vemos que o aborto é praticado por adolescentes, muitas vezes à
revelia dos pais.
Continuemos assim e teremos a certeza que a nossa sociedade se vai
corrompendo cada vez mais. Oxalá eu esteja enganada.
Maria Fernanda Barroca