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Noite de Natal
Foi assim a primeira Noite de Natal: “Envolveu-O
em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não
havia lugar para eles na pousada” (Lc 2, 7). Em
silêncio, veio Deus ao Mundo, criado por Ele. Em
silêncio, nós deixámos que Ele nascesse numa
gruta. Naquele presépio escuro e frio, o boi e a
vaca não estão a mais. Não são um simpático
adorno natalício para tornar a gruta mais quente
e acolhedora. Aquela húmida cova é a casa deles.
É o seu lar. Jesus, Maria e José é que estão lá
a mais. Estão lá porque não havia lugar para
eles na pousada. Não havia lugar para Deus no
Mundo criado por Ele.
Quantas pessoas celebram o Natal sem um lugar
para Deus na sua vida! Parece que o
aniversariante atrapalha um pouco a festa. O
Natal acaba por reduzir-se à festa da alegria, à
festa da paz, à festa da família. Tudo isso é
verdadeiro, mas não é a essência do Natal. A
essência do Natal é a vinda de Deus ao mundo. É
o aniversário de Jesus Cristo.
Por isso, cada Natal devia representar para nós
um novo encontro pessoal com Deus. Deus que se
fez uma criança para que nos aproximemos d’Ele
com confiança. O Natal fala-nos de alegria. Da
alegria de nos sabermos filhos de Deus. O Natal
fala-nos de paz. Da paz que procede de deixar
que Deus nasça no nosso coração. O Natal é
também a festa da família. Da família dos filhos
de Deus nesta Terra. Isso é a Igreja. No
entanto, o Natal perde o seu sentido mais
profundo se nos esquecemos do aniversariante.
“Envolveu-O em panos e deitou-O numa
manjedoura”. Tão simples acontecimento é a
medida do nosso tempo. Contamos os anos a partir
dessa Noite Santíssima, dessa Noite Feliz, dessa
Noite de Paz. É o marco que divide a História. E
porque é que Ele veio ao Mundo? Será que veio
somente para facilitar a contagem do tempo? Será
que veio somente para termos todos os anos uma
Noite de Natal?
A resposta é do próprio Jesus: “Deus amou de tal
modo o mundo, que lhe deu o Seu Filho Unigénito,
para que todo aquele que crê n’Ele não pereça,
mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Veio para
que O recebêssemos. Veio para que acreditemos
n’Ele. Veio para nos revelar que valemos muito.
Veio para nos dar a vida eterna, o maior desejo
que temos no coração.
“Ó Noite Santa! Tu uniste para sempre Deus e o
homem. Tu nos renovas a esperança. Tu nos enches
de assombro. Tu nos garantes o triunfo do amor
sobre o ódio, da vida sobre a morte. No silêncio
luminoso do Natal, Deus continua a falar-nos. E
nós estamos prontos para ouvi-Lo” (João Paulo II).
Para todos um Santo Natal, precedido de uma boa
preparação espiritual. Arranjemos a nossa
pousada. Que Ele possa nascer nela na próxima
Noite de Natal.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria
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