|
|
Educação gera riqueza |
(
18-2-2003 ) |
|
|
|
O investimento no ensino de nível secundário e de nível superior traz benefícios
à economia dos países. Esta é a conclusão de um estudo recente da UNESCO e da
OCDE.
O estudo teve por base 16 países com economias emergentes -
Argentina, Brasil, Chile, China, Egipto, Filipinas, Índia, Indonésia, Jamaica,
Malásia, Paraguai, Peru, Tailândia, Tunísia, Uruguai e Zimbabué - e incidiu
sobre os últimos 20 anos. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e Cultura) e a OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico) concluíram que o aumento de investimento na educação
de nível secundário e de nível superior pode ter sido determinante para o
aumento do Produto Interno Bruto (PIB) destes países em cerca de 0,5%.
Por exemplo, na Malásia, em 1960, os adultos -
indivíduos dos 15 aos 64 anos) - passavam, em média, 3,22 anos nos
estabelecimentos de ensino. O PIB, per
capita era de cerca de 2 mil dólares americanos/ano. Em 2000, com um
amento da frequência do ensino para 9,31 anos, o PIB sofreu um acréscimo
significativo para 6 mil dólares americanos per
capita .
No entanto, os países estudados ainda estão aquém do valor médio da OCDE no que
diz respeito ao número de anos de frequência da escolaridade. Em 2000, em média,
os adultos dos estados membros da organização com economias desenvolvidas
passaram 10,2 anos a estudar, enquanto que os adultos dos países agora
analisados passam 7,6 anos. No entanto, e nestes mesmos países, os adultos
dedicavam apenas 3,4 anos à educação em 1960.
Os autores do estudo consideram o progresso lento, estimando que ainda sejam
necessários cerca de 30 anos para que países ricos e os países em análise
atinjam o mesmo nível de escolaridade nos ensinos de nível secundário e de nível
superior.
Os estudos superiores também são essenciais para o bem-estar do indivíduo, na
sua aceitação no mercado de trabalho. A qualidade de vida pode ser muito
diferente para quem tem um curso superior. Por exemplo, um indonésio licenciado
tem, em média, um vencimento 82% superior a um indonésio que tenha apenas
estudos secundários. No caso do Paraguai, a diferença de salário pode ir até aos
300%.
De salientar que nos países em estudo, uma grande fatia do investimento na
educação provém do sector privado. Por exemplo, no Chile, na China e no
Paraguai, o investimento privado na área da educação ronda os 40%, o que
contrasta com os 12% da média dos estados membros da OCDE.
Comentários
Mais importante ainda é a
educação pré-escolar e o apoio directo às famílias...
Muito mais interessante é o estudo realizado por dois economistas da
Universidade de Chicago (Pedro Carneiro, de nacionalidade portuguesa e
James Heckman, Prémio
Nobel de Economia), publicado em Outubro de 2002 na prestigiada revista
Economic Journal,
segundo o qual mais investimento directamente nas escolas não faz diminuir de
uma forma significativa a enorme diferença nas probabilidades de obtenção de um
curso universitário entre as crianças de famílias com mais recursos económicos e
as crianças de famílias com menos recursos económicos. O que diminuirá essa
diferença são as políticas directamente dirigidas à existência nas famílias de
um "ambiente" favorável à busca do conhecimento. Mais detalhes em
www.liberdade-educacao.org, na secção “Comentários”.
F. Adão da Fonseca, Lisboa
18-02-2003

|