Diário de Notícias - 19 Fev 03

Menos 26 escolas
CÁTIA GAUDÊNCIO

A maioria das escolas do ensino básico do concelho de Abrantes vai ser encerrada. A medida está prevista na proposta da Carta Escolar e não agrada aos pais e a alguns professores.

O presidente da câmara, Nélson de Carvalho, compreende os protestos, mas diz que o encerramento é inevitável. Autarquia e população têm um ano para se entenderem.

A proposta da Carta Escolar para o concelho de Abrantes prevê reduzir o número de estabelecimentos do ensino básico de 40 para 14, o que significa a extinção de 26 escolas no concelho. Uma redução drástica, que não agrada a encarregados de educação das freguesias do concelho de Abrantes, que temem deixar de poder acompanhar a vida escolar dos filhos.

O documento ainda só está em discussão, pelo que terá de ter pareceres do Conselho Municipal de Educação _ para além da discussão e respectiva aprovação por parte dos órgãos políticos municipais. Segundo o autarca, os abrantinos poderão também apresentar algumas propostas de alteração.

Num debate público sobre a carta escolar, muitos pais e encarregados de educação manifestaram o seu desagrado e recusaram-se a ver fechar algumas escolas. É o caso da população de Mouriscas, que não quer aceitar o encerramento da Escola Básica do 2.º e 3.º ciclo. A autarquia explicou que as medidas baseiam-se em rácios do Ministério da Educação, segundo os quais uma escola básica do 2.º e 3.º ciclo não deverá ter menos de 240 alunos. A escola, neste ano lectivo, tem 90 alunos.

Ainda assim, os habitantes desta freguesia apresentaram uma proposta de união das escolas do 2.º e 3.º ciclo de Mouriscas e Alvega, por forma a conseguirem manter o estabelecimento aberto.

O presidente da Câmara de Abrantes já esteve reunido com a Direcção Regional de Educação da Região de Lisboa e Vale do Tejo para discutir a problemática em torno da Carta Escolar. Nélson de Carvalho compreende que o discurso da população não seja coincidente com o da Direcção Regional de Educação. «É o discurso do desejo, não é o discurso do planeamento. São dois discursos que nem sempre são compatíveis», referiu.

O autarca admite que a redução das escolas poderá ser uma medida sensata, mas apenas se significar que passam a ter equipamentos melhores.
 

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