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Público - 13 Fev 03
Alunos de Todo o País às Voltas com a Matemática
Por SANDRA SILVA COSTA
Competição organizada ontem pela Universidade de Aveiro
Dos 35 minutos previstos, Vanessa Oliveira e Hugo Dias precisaram apenas de
nove. Com uma rapidez que deixou alucinados os restantes participantes,
os dois alunos da Escola Profissional de Informática
Centro Juvenil de Campanhã, no Porto, sagraram-se
vencedores absolutos da primeira edição da Mat12, a
competição de Matemática que ontem levou a Aveiro cerca de 300
alunos dos 11º e 12º anos de escolas de todo o país.
A meio da manhã, numa das salas do Departamento de Matemática da
Universidade de Aveiro que, através do Projecto Matemática Ensino (Pmate),
organizou o concurso, perto de duas dezenas de alunos de olhar
compenetrado aglomeravam-se em frente ao computador.
Tiago Almeida e Nuno Cristóvão, da secundária de Castro Daire, acabaram de
chegar e preparam-se para começar a jogar - António Batel Anjo, do Pmate,
faz questão de referir que a Mat12 mais não é do que "um jogo que tem
como objectivo cativar os jovens para o gosto da
Matemática".
Depois de efectuarem o "login" e de validarem as respectivas "passwords", os
dois alunos recebem no monitor o primeiro exercício. Estão no primeiro
nível, têm duas vidas - o que quer dizer que podem errar duas vezes - e
dispõem de 35 minutos para mostrar o que sabem de Matemática. "Vamos a
isso", comentam.
A competição de ontem foi o culminar de um projecto que começou a ser
preparado já em Novembro, explicou ao PòBLICO António Batel Anjo. "Desde
essa altura que temos disponível na Internet o programa que permite aos
alunos treinarem-se no jogo", adiantou. As escolas interessadas em
participar foram convidadas a organizar competições entre turmas, de
forma a seleccionar os participantes na final de ontem.
Os conteúdos das questões colocadas versam sobre matérias que os alunos
aprendem ao longo do secundário e o nível exigido não ultrapassa o
habitual nos exames nacionais do 12º ano. Cada equipa é
formada por dois alunos.
O jogo está organizado em 15 níveis e em cada um os alunos têm de determinar
se as quatro afirmações apresentadas são verdadeiras ou falsas. No nível
cinco, os estudantes de Castro Daire já só contam com uma vida. Acabaram
de resolver um exercício e, a medo, carregam no comando
que permite avançar no jogo. Erraram. "A vossa prova
terminou. Não conseguiram chegar ao fim, mas mesmo assim
a vossa prestação foi muito boa", pode ler-se agora no monitor.
Os dois encolhem os ombros: "Não estávamos à espera de mais", confessa
Tiago.
Ricardo Cruz e André Lamelas, da secundária António Nobre, no Porto,
perderam no décimo nível. "Foi uma prestação bastante razoável", diz
Ricardo, aluno de 18 a Matemática e "viciado" na disciplina. Rui Santos e
Rui Azevedo, da Escola Secundária António Gonçalves, de Torres Novas,
ficaram-se pelo quinto nível porque deixaram esgotar o tempo.
Batel Anjo não tem a mínima dúvida que iniciativas como a Mat12 são
"extremamente úteis" para tornar a Matemática uma disciplina "mais
atractiva". "Estes projectos servem para estimular os alunos a gostarem
de Matemática", considera. O Pmate nasceu em 1990 e
organiza também o Equamat, uma competição matemática
destinada aos alunos do 3º ciclo do ensino básico.

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