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Público - 26 Fev 03
O Ensino Não Tem de Ser Igual para Todos
Por A.S.
Ana Bela Cruzeiro defende que os estudantes devem ser tratados de forma idêntica
para efeitos de acesso ao ensino superior. Mas, uma vez no sistema, os melhores
devem ser "puxados", eventualmente com cursos especialmente concebidos para
eles.
P. - Os jovens portugueses são menos inteligentes, menos responsáveis, menos
preparados do que os seus colegas do estrangeiro?
R. - Os nossos jovens são exactamente iguais aos de lá de fora. Em todos os
lugares há sempre uma percentagem de jovens muito, muito motivados. Um estudante
em França - país que conheço bem e que tem um grande nível científico - faz um
enorme esforço para entrar nas universidades que são melhores, com mais
prestígio, onde o acesso é difícil... Aqui, o mesmo estudante vai para o mesmo
sítio que os outros, seguir o "rame-rame" dos outros e se calhar não vai ter um
ensino tão bom como teria se estivesse num meio onde só estão os melhores.
P. - Está a dizer que não se promove a excelência entre os mais talentosos?
R. - Não são verdadeiramente puxados. É o sistema, são os professores, não é
a qualidade dos estudantes. Acho que esses pequenos grupos deviam ter um ensino
diferente - peço desculpa por dizer isto, mas deviam. O que é importante é
assegurar que toda a gente tenha acesso a todos os tipos de ensino e possa
entrar em função das suas capacidades. Agora, uma vez no sistema, o ensino não
tem de ser igual para todos.
P. - Mas como é que isso pode ser aplicado na prática?
R. - As universidades têm autonomia. Podem decidir que têm ali um curso
especificamente para alunos muito bons em certo domínio. Podem resolver isso,
serão avaliadas por isso e depois, eventualmente, serão compensadas se as coisas
correrem bem. Isto permitiria que as universidades se distinguissem umas das
outras. Com instituições mais exigentes do que outras, umas com cursos mais
pequenos, outras com cursos maiores, umas com mais tutores, enfim... Neste
momento, a universidade não tem condições, em termos financeiros, para decidir
isso. E se calhar também não tem querido.

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