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Público - 23 Set 03
Nove em Cada Dez Alunos Conseguiram Entrar no Ensino Superior
Por BÁRBARA WONG
Este ano, a história voltou a repetir-se: há mais vagas do que candidatos
ao ensino superior. Mas isso não significa que, depois de percorridas as
listas, todos os aspirantes à entrada nas universidades ou politécnicos
fiquem esfuziantes. Há pelo menos um em cada dez que não entrou.
Relativamente a 2002/2003, a percentagem de estudantes colocados nesta 1ª
fase aumentou de 83 para 87 por cento.
Dos 41.662 candidatos, ficaram colocados 36.077 alunos na 1ª fase do
concurso nacional de acesso ao ensino superior. Seis em cada dez
conseguiram um lugar no curso que mais queriam. De fora ficaram 5585
candidatos, que vão ter de esperar pela 2ª fase, para a qual estão ainda
disponíveis 9463 vagas.
Desde 2001 que o número de candidatos ao ensino superior tem vindo a
diminuir. Este ano não foi excepção: o número de alunos interessados em
prosseguir os seus estudos superiores caiu dez por cento, foram menos 4630
do que no ano passado.
Por isso, ao contrário do que as instituições de ensino superior temiam,
os lugares disponibilizados - 45.357 - foram mais do que suficientes.
Segundo os dados do Ministério da Ciência e do Ensino Superior (MCES), a
razão entre o número de vagas e o número de candidatos aumentou quatro
pontos percentuais em relação a 2002. Também o número de candidatos que
conseguiram um lugar numa das três primeiras opções subiu de 87 para 90
por cento.
Um quinto dos cursos com menos de dez alunos
Devido à quebra demográfica e à quantidade de estudantes inscritos no
secundário, este ano, o MCES decidiu fixar critérios de redução de vagas -
estas medidas foram negociadas com universidades e politécnicos, tendo
havido uma diminuição de 6,6 por cento em relação a 2002.
Muitas instituições optaram mesmo por não abrir vagas em cursos onde a
quebra da procura era elevada. Há escolas que apostaram no corte e ainda
assim sofrem uma quebra na ocupação das vagas, como a Universidade dos
Açores, que em sete cursos recebe menos de cinco candidatos. Mas houve
outras, dez, que não chegaram sequer a receber um novo aluno.
Ainda segundo o MCES, 20 por cento dos cursos admitiram menos de dez
alunos. Por isso, recorda a tutela, as instituições vão ter até Janeiro de
2004 para corrigir e reestruturar as formações, de maneira a que se
reduzam estas situações.
O ministério nota que a evolução da procura pelas várias áreas de formação
diminuiu, na sua maioria, em dez por cento. A única onde houve uma subida
foi nas artes (9,8 por cento).
As áreas de formação onde ficaram mais vagas por preencher são as das
Ciências, com uma redução da procura na ordem dos 13,5 por cento, e a das
Tecnologias, com 8,7 por cento. Nas Engenharias, Indústrias
Transformadoras e Construção sobraram 3129 lugares, enquanto nas Ciências
ainda estão disponíveis 1293. O MCES classifica este facto como "preocupante",
já que se tratam de áreas que o Governo considera prioritárias para o
país.
Outra onde se observou uma grande quebra foi a da Educação (menos 31,3 por
cento). Um valor que se justifica plenamente depois de, todos os anos, se
confirmarem as dificuldades que os professores têm para encontrar uma
colocação.
Mais de 18,15 valores para entrar em Medicina
Como já é tradição, os cursos de Medicina continuam à frente no "ranking"
das notas de admissão mais altas. Apesar de a nota do último colocado ter
baixado ligeiramente (1,7 pontos percentuais) em relação ao ano passado, a
entrada continua a ser exigente, variando entre 18,58 na Universidade do
Porto e 18,15 na Nova de Lisboa.
Segue-se Arquitectura, no Porto (18) e em Lisboa (17,85). E imediatamente
abaixo vêm Medicina Dentária, Enfermagem, Psicologia ou Fisioterapia,
todas com notas de admissão na casa dos 17 valores.
Na saúde e protecção social, uma das áreas de estudo que estão a concurso,
sobraram muito poucas vagas: 61. Dessas, 20 são do curso de Terapêutica da
Fala, na Universidade do Algarve, que não preencheu nem um lugar, ao
contrário de outros cursos congéneres, muito procurados e com notas de
admissão muito altas (mais de 16 valores).
Em meia centena de cursos, a maioria leccionada em politécnicos, é
possível entrar com nota abaixo dos 9,5 valores. No fundo da lista vem o
Instituto Politécnico de Tomar, no curso de Auditoria e Fiscalidade, o
último colocado teve 8,1.
Os resultados estão também disponíveis em
www.acessoensinosuperior.pt a partir das 12 horas de hoje, refere o
comunicado. Os estudantes terão entre amanhã e dia 30 para proceder à
matrícula e inscrição no respectivo estabelecimento de ensino. A 2ª fase
de candidatura vai decorrer entre 6 e 10 de Outubro, em que serão postas a
concurso não só as vagas sobrantes, como as dos alunos que nesta 1ª fase
não se matriculem e também os lugares
libertados na sequência de reclamações. |