Correio da Manhã - 26 Set 03

Fundo de Desemprego: regras entrarão em vigor no 2.º semestre de 2004

SUBSÍDIO EM MENOS TEMPO O ministro da Segurança Social e do Trabalho deixou ontem no ar a possibilidade de o Governo poder reduzir, no âmbito da regulamentação da Lei de Bases da Segurança Social, o período de atribuição do subsídio de desemprego.
Pedro Catarino
 
Bagão Félix quer acabar com a injustiça social na atribuição do subsídio de desemprego
Bagão Félix garantiu que "não há redução dos 65 por cento", correspondentes ao salário de referência dos trabalhadores, do valor do subsídio de desemprego, mas, não dizendo que sim, nem que não reduzirá a sua duração temporal, referiu que "num país rico como a Alemanha o subsídio de desemprego passou para 12 meses e acima dos 40 anos é de 18 meses, enquanto cá é de 30 meses", dando a entender que poderá avançar com a redução do período temporal de atribuição deste apoio social.

Para já, o ministro faz questão de frisar que "não há ainda uma proposta de diploma, a não ser na minha cabeça", uma forma de dizer que as alterações a introduzir nesta área não estão ainda definidas. Certo de que "existem situações de injustiça social" na atribuição do subsídio de desemprego, Bagão Félix garante que "a ideia-base é aprofundar o princípio da equidade social". E dá um exemplo: "uma pessoa desempregada aos 55 anos não é o mesmo que estar desempregada aos 25".

Para aplicar "factores de discriminação positiva", o ministro quer "poupar no uso indevido ou mau gasto do subsídio de desemprego para gastar no subsídio social com quem tem mais necessidades". Bagão Félix está convicto que "é possível concertar a não diminuição da prestação mensal com a majorança do subsídio social". E "não se vai gastar mais dinheiro com o mesmo número de desempregados, se houver melhor fiscalização, se o desemprego voluntário for combatido, se os centros de emprego funcionarem melhor".

PROVÁVEIS ALTERAÇÕES

DIFERENCIAR

Bagão Félix deixou claro que "vai haver diferenciação social na atribuição do subsídio de desemprego", baseada na família, na idade e nos anos de contribuição, tal como já está em vigor. Hoje, a idade fixa o período de atribuição deste apoio social.

BENEFICIADOS

A ideia é favorecer os desempregados de longa duração, as mulheres desempregadas após a fase de maternidade, e as famílias em que os pais estejam ambos ou apenas um no desemprego. O subsídio será majorado para as pessoas nestas condições.

ORGANIZAÇÃO

O ministro quer fazer a junção informática e organizativa dos centros de Emprego, para que o custo e o pagamento do subsídio seja feito no mesmo serviço. Em Agosto, existiam 463 mil desempregados. Estado gastou 800 milhões de euros no 1º semestre.

EMAGRECER À CUSTA DO ESTADO

"Há empresas de sectores privilegiados que estão a fazer o seu emagrecimento à custa do desemprego voluntário e são financiadas indirectamente pela Segurança Social. As pessoas recebem indemnizações e vão para o desemprego". Com estas palavras, o ministro da Segurança Social deixou bem claro que o Governo tenciona acabar com esta situação.

Porque, como explicou, "é completamente diferente uma pessoa que vai para o desemprego porque a empresa encerrou do que uma pessoa que vai para o desemprego livremente, porque rescindiu amigavelmente com a empresa, e leva uma larga indemnização". Para moralizar esta situação, Bagão Félix diz que esta "pessoa vai para o desemprego mas o valor da indemnização será abatido nos primeiros meses do subsídio de desemprego".

O ministro tenciona também introduzir alterações no chamado emprego conveniente, para evitar que os desempregados continuem a recusar empregos semelhantes ao que tinham antes, continuando a receber o subsídio até ao máximo de três recusas de propostas de emprego dos centros de emprego. Diz Bagão Félix que "as pessoas têm o direito de recusar, mas devem perder o subsídio de desemprego". As alterações ao subsídio de desemprego serão apresentadas até ao final de 2004. António Sérgio Azenha

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