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Público - 17 Set 03
Por Que Falha a Produtividade em Portugal
O não cumprimento de obrigações por parte dos agentes económicos, como o
caso da fuga aos impostos, é a principal justificação do diferencial
global de produtividade do país face às melhores práticas internacionais.
Informalidade - Conjunto de distorções ao enquadramento competitivo e
empresarial da economia resultantes da evasão por parte das empresas e
agentes económicos a um conjunto de obrigações. Inclui a fuga aos
impostos, à segurança social, ao pagamento do salário mínimo ou o não
cumprimento de exigências de níveis mínimos de qualidade dos produtos, de
normas de segurança, de restrições ambientais, etc. Esta barreira
representa 28 por cento do diferencial global de produtividade
identificado como "atacável".
Regulação de mercados/produtos - Inadequação da regulamentação à promoção
do bom funcionamento do mercado. São exemplos, as restrições ao acesso ao
mercado por parte dos novos operadores, a fixação de preços e da oferta
por via administrativa ou a exigência de requisitos que impedem a
optimização operacional e comercial das empresas. Esta barreira representa
cerca de 13 por cento do diferencial de produtividade susceptível de ser
resolvido através de políticas públicas.
Ordenamento do território, burocracia no licenciamento e outros processos
- Deficiente coordenação e visão integrada dos múltiplos planos de
ordenamento do território aplicáveis a um determinado local e imposição de
processos de licenciamento (e outros) complexos, insuficientemente
coordenados, heterogéneos e pouco transparentes. Pode ser o caso da
disponibilidade limitada de locais para construir empreendimentos
turísticos de qualidade e dimensão adequadas, favorecendo o aparecimento
de formatos menos produtivos. Esta barreira representa 24 por cento do
diferencial global de produtividade identificado como "atacável";
Prestação de serviços públicos - Insuficiências na prestação de serviços
públicos que se traduz em défices educacionais ou de infra-estruturas,
apesar da administração pública representar um encargo elevado para a
economia, devido sobretudo aos salários elevados praticados (a vantagem
salarial dos funcionários públicos face aos privados chega a ultrapassar
os 50 por cento). Esta barreira é responsável por 22 por cento do
diferencial de produtividade não estrutural identificado.
Legislação laboral - Antes da revisão do Código do Trabalho, a "rigidez"
das leis do trabalho eram a causa de 13 por cento do diferencial de
produtividade não estrutural identificado.
"Herança Industrial" - Inexistência de capacidades, combinada com a falta
de escala, impede as empresas portuguesas de gerarem e/ou financiarem mais
oportunidades de crescimento, prejudicando o ritmo de inovação e criação
de postos de trabalho em sectores de elevado valor acrescentado. O peso
desta barreira no diferencial identificado como "atacável" não está
disponível. |