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Diário Digital - 16 Set 03
Informalidade limita desenvolvimento da produtividade em Portugal
Francisco Mota Ferreira
A informalidade é a principal barreira ao aumento da produtividade em
Portugal, revela o relatório «Portugal 2010» elaborado pela McKinsey e
apresentado esta terça-feira em Lisboa.
De acordo com a mesma fonte, o não cumprimento das obrigações por parte
dos agentes económicos representa cerca de 28% do diferencial global de
produtividade que, no entanto, pode ser corrigido. A empresa define
informalidade como «o conjunto de distorções ao enquadramento competitivo
e empresarial da economia» que resulta da evasão, por parte de empresas e
agentes económicos, de um conjunto de obrigações. Os especialistas
destacam que este não é um fenómeno que abranja apenas a economia
paralela, mas todo um conjunto de mecanismos que têm impactos profundos na
economia.
Entre estes comportamentos, a McKinsey destaca a evasão fiscal,
nomeadamente a impostos sobre o rendimento das empresas e particulares (IRS
e IRS) e ao IVA, a evasão a obrigações sociais, como o não pagamento
devidos à Segurança Social ou o não pagamento de níveis de salário mínimo
ou ainda a evasão a normas de mercado, designadamente o não cumprimento de
exigências de níveis mínimos de qualidade de produtos, normas de
segurança, direitos de propriedades, entre outros.
O relatório compara ainda a situação espanhola, onde, face a níveis de
informalidade igualmente elevados, foi desenvolvido com êxito -
«incrementos de 75 a 100% de matéria colectável das pequenas e médias
empresas», revelam - um programa integrado de combate à informalidade.
Para alcançar este objectivo, Espanha procedeu à racionalização do sistema
fiscal, reforçou os mecanismos de auditoria, aplicou as medidas penais
previstas no caso de evasão, procedeu à reorganização da Administração
Pública e informou a opinião pública e empresarial sobre a necessidade de
se cumprirem as medidas em curso. |