Público - 25 Set 03

Gestores Querem Uma Escola Mais Articulada com o Mundo
Por BÁRBARA WONG

A escola não se articula com o meio em que se encontra e não tem em conta o futuro profissional dos seus alunos. Há uma "fraca articulação" entre a escola, a família e a comunidade. Na tentativa de manter uma posição neutral, a instituição escola acaba por não encontrar o seu papel. Estas são algumas das críticas que um grupo de três dezenas de empresários faz ao sistema educativo.

António Carrapatoso, da Vodafone, Jardim Gonçalves, do Grupo BCP, Ludgero Marques, da Cifial, Magalhães Crespo, da Rádio Renascença, João Paulo Cabral, da Sogrape, e Vasco Teixeira, da Porto Editora, foram alguns dos nomes contactados pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (Acege) e pela Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (Aeep). As associações optaram por fazer entrevistas individuais "aprofundadas" sobre o modo como vêem a escola, básica e secundária.

Os empresários comparam o que foi a sua escola com a actual e lamentam que hoje não haja um "assumido" compromisso por parte dos educadores. Lembram ainda que no seu tempo, havia "outra tranquilidade" e "convergência de objectivos" entre a escola e a família.

Actualmente, verifica-se uma ausência de projecto educativo, dizem. No entanto, reconhecem que há escolas de qualidade, com experiências de sucesso. O problema está quando estes estabelecimentos de ensino tentam transmitir as suas experiências, pois nem sempre são bem sucedidos. Além disso, acrescentam os empresários, verifica-se uma "incapacidade ou desinteresse" por parte das outras em "querer aprender" com as primeiras.

As escolas públicas são permeáveis ao meio em que se encontram, constatam. Quanto às escolas privadas, a principal diferença é a "dimensão de segurança que oferece aos seus alunos". Entre elas há "algumas marcas de prestígio".

Os empresários comparam o professor, "quadro da instituição escola", como os quadros das suas empresas e questionam-se sobre a "genuinidade" da sua vocação, que não existindo põe em causa a sua capacidade de motivar os alunos. Acrescentam ainda que a figura do professor vem perdendo prestígio, o que restringe o seu poder de influência. Mas não é só a figura do professor que está mais fragilizada, também a família sofre do mesmo.

Perante este cenário, os gestores e empresários propõem que a escola forme pessoas "por inteiro": intelectual, emocional, moral e fisicamente, que desenvolva o espírito crítico dos alunos, que os forme para a iniciativa e extroversão. Traços que consideram decorrer da sua própria experiência empresarial. Por isso, é a partir desta visão que a escola deverá preparar os alunos, que vão ser os futuros trabalhadores. De maneira a ajustar a escola e a sociedade.

Há disciplinas consideradas essenciais para a formação dos estudantes: Educação Cívica, tecnologias, e desporto. Depois, as empresas também poderão estar mais próximo das escolas, através, por exemplo, de visitas de estudo recíprocas ou estágios antecipados para estudantes pré-universitários.

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