Público - 24 Set 03

Maioria dos Exames Nacionais com Médias Abaixo dos 10 Valores
Por ISABEL LEIRIA

O cenário quase não se alterou em relação à 1ª fase dos exames nacionais do 12º ano: Física, com uma média nacional de 6 valores, trocou com a Matemática o último lugar da lista das provas com piores classificações. Ainda assim, registou-se uma subida de quatro décimas em relação ao ano passado.

Mas o que marca esta 2ª fase das provas que servem de conclusão do ensino secundário e de ingresso no superior é a considerável descida das notas em relação à 1ª fase, que decorreu entre Junho e Julho. Os alunos que não "passam" à primeira parecem ter dificuldade em fazer melhor na época de Setembro. Em apenas três das 18 provas mais concorridas os alunos conseguiram médias iguais ou superiores a 10 valores. Na 1ª fase, aconteceu a situação exactamente inversa (só três provas abaixo da positiva).

Para além da Física, Matemática (6,1), Geologia (7,1), Francês (7,2), Introdução ao Direito (7,3) ou Biologia (7,5) são outras das disciplinas em que os estudantes têm mais dificuldades. As provas de Filosofia, Sociologia e Desenho e Geometria Descritiva A destacam-se pela positiva, com médias entre os 10 e os 11 valores.

A par da diferença de notas entre as duas fases, comum a todos os outros anos, também o elevado número de faltas marca os exames de Setembro. Das cerca de 136.500 inscrições, apenas se realizaram 92 mil provas (67 por cento), diz o relatório do Júri Nacional de Exames. Entretanto, o Ministério da Educação já anunciou que, no próximo ano, as provas nacionais do 12º ano serão todas feitas em Junho e Julho. Em vez de três oportunidades, os estudantes apenas poderão fazer os exames em dois momentos.

Propostas para a Matemática até ao final do mês
Foi uma das promessas da campanha eleitoral do PSD mais falada para a área do ensino e, em Agosto de 2002, a tomada de posse da Comissão para a Promoção do Estudo da Matemática e das Ciências mereceu mesmo a presença de Durão Barroso, num "sinal do primeiro-ministro de que está empenhado na resolução da situação e do quanto espera do grupo para encontrar boas soluções", frisou na altura o ministro da Educação, David Justino. Mais de um ano depois, pouco ou nada se soube sobre o trabalho desenvolvido.

David Justino promete agora apresentar algumas conclusões da reflexão do grupo de trabalho até ao final do mês e conta que as medidas anunciadas para a qualificação do 1º ciclo ajudem igualmente a melhorar o desempenho dos alunos nestas áreas. A verdade é que o percurso da comissão tem sido atribulado. António Manuel Baptista abandonou a presidência, em ruptura com o ministro e alguns membros do grupo de trabalho. Dos onze elementos
inicialmente nomeados, apenas restam seis.

Muita coisa terá de mudar para inverter o mau desempenho dos alunos e cujas fragilidades se fazem sentir logo nos primeiros anos. No final do percurso, as dificuldades agravam-se e reflectem-se na procura de cursos superiores na área das ciências.

O défice português é grande comparativamente com alguns países europeus e os dados revelados ontem pelo Ministério da Ciência e do Ensino Superior confirmam-no: o número de candidatos que colocaram cursos de ciências como 1ª opção caiu 13,5 por cento em relação ao ano passado, sendo que esta foi uma das áreas de formação designadas como prioritárias pelo Governo. A quebra média de procura ficou-se pelos dez por cento.

WB00789_1.gif (161 bytes)