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Diário de Notícias - 16 Set 03
38 mortos na pior semana deste ano
PAULA SANCHEZ
Há mais de um ano _ desde 28 de Julho de 2002, época de muito movimento
nas estradas _ que não morria tanta gente em acidentes de viação no espaço
de uma semana: 38 mortos, 110 feridos graves e mais de um milhar de
feridos ligeiros.
Sem que houvesse nenhum grande acidente que pudesse ter aumentado estes
indicadores trágicos, nos últimos sete dias morreram 37 pessoas em
desastres nas estradas do território continental e uma outra na ilha
açoriana do
Faial.
Na análise semanal detalhada dos últimos três anos é possível verificar-se
que apenas em nove, (de mais de 150 semanas) o número de vítimas mortais
nas estradas foi superior a 37. Mas nunca este elevado número de vítimas
graves ocorreu nos meses de Setembro de 2001 ou de 2002.
Na semana equivalente do ano passado, houve mais de 3800 acidentes (mais
150 que agora), mas morreram menos cinco pessoas e houve também menos 40
feridos graves. E idêntica situação aconteceu na semana de 10 a 16 de
Setembro de 2001.
Depois da brutalidade dos números da sinistralidade rodoviária de Julho e
Agosto (em dois meses morreram 273 pessoas), as primeiras semanas deste
mês não auspiciam melhorias. É que nestes 14 dias os acidentes já foram
causa de morte directa para 65 pessoas, enquanto mais de duas mil ficaram
feridas. E destas, duas centenas saíram do local do acidente em estado
grave.
Dentro das localidades o mês começou mal, com muitos acidentes e vítimas
graves. Na última semana, porém, o cenário voltou a alterar-se,
agravando-se muito a sinistralidade fora das áreas urbanas.
Recorde-se que este ano, e até 14 de Setembro, já morreram 979 pessoas em
acidentes de viação, 140 das quais no interior de áreas urbanas
fiscalizadas pela PSP (capitais de distrito, principais cidades e as duas
regiões autónomas)
FISCALIZAÇÃO O excesso de velocidade, a ingestão de bebidas alcoólicas e a
ausência do cinto de segurança ou de outros sistemas de retenção continuam
no topo da lista de infracções detectadas pela Brigada de Trânsito da GNR.
Os portugueses continuam a misturar a condução com o consumo de bebidas
alcoólicas. A novidade, que se tem acentuado este ano, é que o passaram a
fazer em doses cada vez mais elevadas. As 203 pessoas que a BT levou esta
semana a tribunal (de 532 alcoolizados) são disso exemplo. Atente-se nos
números: até esta altura, em 2001, a BT tinha levado a tribunal 4451
pessoas. Em 2002, já levara mais uma centena e este ano são mais de 6217
as que tiveram de responder por crime de condução em estado de embriaguez,
ficando com inscrição no seu registo criminal.
Assim, parece legítimo associar o evidente aumento dos condutores ébrios
(tinham mais de 1,2 g/l de álcool no sangue) ao restabelecimento da taxa
de alcoolemia permitida de 0,2 g/l para 0,5 g/l, no principio de 2002.
De alguma forma, como têm defendido especialistas médicos e dirigentes de
associações de prevenção rodoviária, criou-se a convicção pública de que
se podia beber um bocadinho mais. E como é reconhecido cientificamente
sermos maus avaliadores com um grão na asa, parece de todo impossível
dizer-se a um amigo «leva tu o carro» ou «vou chamar um táxi». |