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Público - 10 Set 03
Portugal Lidera Melhoria da Esperança de Vida, mas Gasta Pouco com a
Saúde
Por LUSA
Portugal registou, nos últimos 40 anos, o maior aumento da esperança de
vida nos Quinze devido à melhoria das condições de saúde, mas persiste na
mais alta incidência de casos de Sida e tuberculose. Os dados constam do
relatório deste ano da Comissão Europeia sobre "A situação social na União
Europeia", divulgado ontem em Bruxelas, e que dá conta da evolução dos
indicadores sociais dos 15 Estados-membros e dos dez países candidatos,
tais como os níveis dos cuidados de saúde, do emprego e da educação.
O aumento da esperança de vida desde 1960 sentiu-se de forma mais forte,
segundo Bruxelas, nos países que beneficiam das ajudas dos Fundos de
Coesão (para as zonas mais desfavorecidas), como é o caso de Portugal,
Espanha e Grécia. No caso português, a esperança de vida aumentou 13 anos
nas mulheres, situando-se nos 79,7 anos em 2000, e mais de 11 nos homens
(72,7 anos), números que se aproximam da média comunitária (75 anos para o
sexo masculino e 81 para o feminino).
Mas outros indicadores ao nível da saúde são menos positivos: Portugal
registou a mais elevada taxa de incidência de Sida por milhão de
habitantes em 2001 (105,8 casos, quando a média europeia se situava nos
21,8) e de tuberculose (45,2 contra os 12,2 da média europeia).
Além disso, num país onde os cidadãos têm um acesso universal aos serviços
de saúde, verificaram-se das mais baixas despesas públicas em saúde e em
protecção social por pessoa na década de 1990. Juntamente com a Grécia, é
o país com o mais reduzido número de enfermeiros por cem mil habitantes
(cerca de 400).
O relatório refere-se ainda a outros indicadores importantes ao nível da
saúde, o principal tema abordado no documento: Portugal é o terceiro país
com as mulheres mais obesas da Europa e o quinto com mais adeptos
masculinos do tabaco. Por outro lado, o país não perdeu, em 2001, a
liderança no número de mortes devido a acidentes rodoviários por milhão de
habitantes (184), um número bastante superior à média dos Quinze (104).
O documento faz ainda referência ao envelhecimento da população europeia,
referindo que o nosso país apresenta a mais alta percentagem da taxa de
emprego entre a população mais idosa (dos 65 aos 69 anos) e onde o rácio
de dependência dos idosos atingirá os 25 por cento em 2010, segundo
estimativas da UE.
Ao nível dos rendimentos, as estatísticas revelam uma persistência do
risco de pobreza, em que o rendimento auferido é inferior ao necessário, o
que atingiu, em 1999, 21 por cento da população portuguesa. É também
Portugal que apresenta a maior disparidade da UE entre ricos e pobres, com
os primeiros a auferirem 6,4 vezes mais do que os segundos, uma conclusão
já revelada, no início do Verão, no relatório sobre o Desenvolvimento
Humano das Nações Unidos.
A nível europeu, Bruxelas salienta a melhoria verificada ao nível da
esperança de vida - oito anos desde 1960, atribuída às melhores condições
de saúde e de vida dos cidadãos europeus. Pelos dados revelados no
documento, a CE conclui que as pessoas desempregadas correm um maior risco
de mortalidade, que os cidadãos com estudos superiores gozam de uma saúde
consideravelmente melhor e que o apoio social contribui significativamente
para a promoção da saúde dos indivíduos. |