Portugal Diário - 27 Set 03

Como ser melhor
Lisete Oliveira e Luísa Melo

REPORTAGEM: O sucesso explicado por quem teve melhor desempenho. E as razões da pior escola

«És bom hoje, mas tenta ser cada vez melhor». São estas as palavras de ataque do Colégio São João de Brito, em Lisboa. António Valente, director do Ensino Secundário do Colégio explicou ao PortugalDiário o segredo do sucesso. O PortugalDiário deu ainda voz ao Instituto de Odivelas, à Escola Secundária Garcia da Orta e à Escola Básica de Forjães.

«Os resultados devem-se aos alunos», afirma António Valente. Para o director do Ensino Secundário do Colégio São João de Brito, os alunos têm duas particularidades que permitiram ficar em primeiro lugar no ranking de escolas: «A perspicácia intelectual e a criatividade dos alunos».

«Mas o Colégio também teve a sua influência». António Valente explicou que quando há excessos, os adultos do Colégio tentam vincar essa posição. «Queremos sempre o melhor». Assim surge a lógica «Magis», seguida pelo Colégio, que diz «tenta ser cada vez melhor».

Já no Instituto de Odivelas, o segredo é outro: «O amor pelas alunas». Margarida Ramound, directora do estabelecimento explica que o trabalho e a dedicação também são factores que levaram ao bom desempenho das estudantes.

Relativamente ao lugar ocupado no ranking, a directora não se mostrou surpreendida. «Era possível». Das 30 alunas que fizeram os exames nacionais, apenas duas reprovaram. As alunas do Instituto têm um acompanhamento
personalizado. «A educação constrói-se. A maioria das alunas é interna e estão aqui desde pequenas», explica.

A Escola Secundária Garcia da Orta, no Porto, aparece na 15ª posição no ranking das escolas secundárias e no segundo lugar quando se analisa apenas o desempenho das escolas públicas. Resultados semelhantes aos obtidos no ano anterior e que resultam, explica a presidente do conselho executivo, Maria Gagliardini Graça, de «muito trabalho, muito empenho, e do cumprimento rigoroso do projecto educativo e do regulamento interno».

A coordenação pedagógica de todo o corpo docente, assim como a colaboração com os pais, sublinha aquela responsável, também são decisivos. O PortugalDiário falou com três estudantes do Garcia - a Inês Rêgo, a Inês Palhinhas e o João Sousa - e as opiniões são consensuais: «Os alunos sabem o que querem, estão aqui para estudar». A Inês Palhinhas e o João referem também o facto de os professores serem exigentes e o «bom ambiente da escola».

Objectivos baixos em Forjães

A Escola Básica 2,3 de Forjães, em Esposende, explicou ao PortugalDiário o mau desempenho nos exames nacionais. Manuel Ribeiro, presidente do Conselho Executivo, já esperava este resultado, o último lugar no ranking. «Não havia outra saída. Mas temos de ver por detrás dos números».

Apenas seis alunos fizeram os exames nacionais nesta escola. Para Manuel Ribeiro, a escola têm boas condições para os estudantes, «mas eles fogem para Viana ou para Esposende», desabafa. Este responsável explicou que o secundário foi aberto nesta escola para os estudantes com dificuldades económicas. «E os objectivos são baixos. As disciplinas vão-se fazendo». «Ficámos aborrecidos com os resultados, mas já era previsível», desabafou Manuel Ribeiro.

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