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Público - 27 Set 03
A Atribulada História dos "Rankings"
Por I.L.
Foi em Agosto de 2001 que, pela primeira vez, o Ministério da Educação
(ME) tornou públicos os resultados dos exames nacionais do 12º ano, por
escola e disciplina. Era então ministro Júlio Pedrosa e, apesar da sua
oposição formal à elaboração de um "ranking" , que considerava "redutor e
limitativo", acabou por ser ele o primeiro a disponibilizar a informação
que iria permitir conhecer o desempenho de cada uma das 625 secundárias e
fazer a comparação a nível nacional e de concelho. Tudo porque, depois de
anos de recusa por parte do ME, a intervenção da Comissão de Acesso aos
Dados da Administração, na sequência de requerimentos apresentados pelo
PÚBLICO e pelo Diário de Notícias, obrigou a tutela a divulgar os
resultados da avaliação interna e externa dos alunos do 12º ano.
Os dados foram disponibilizados em bruto e o PÚBLICO, em colaboração com a
Universidade Católica Portuguesa, elaborou uma seriação de escolas, a
partir de um conjunto de critérios pré-definidos. As opiniões dividiram-se
entre críticas e elogios.
Com a chegada do PSD ao Governo e, em particular, com a nomeação de David
Justino para o cargo de ministro da Educação, virou-se outra página na
breve história dos "rankings". Enquanto deputado da oposição, David
Justino sempre se bateu pela divulgação dos resultados da avaliação dos
alunos. No Parlamento apresentou vários requerimentos nesse sentido e
defendeu um projecto de lei que estabelecia a obrigatoriedade de
divulgação, por escola e disciplina, de uma série de indicadores do
sucesso dos alunos do 12º ano. Ao Ministério, caberia promover os estudos
para a definição de um algoritmo, a partir do qual seria feita uma
hierarquização.
A proposta foi chumbada pela maioria de esquerda então existente na
Assembleia, mas, uma vez chegado à 5 de Outubro, David Justino fez o que
durante muito tempo pediu: encomendou a uma equipa da Universidade Nova de
Lisboa (UNL), coordenada por Sérgio Grácio, a elaboração de um "ranking"
das escolas secundárias.
Os resultados foram conhecidos em Outubro de 2002 e se, em 2001, já tinham
sido muitas as críticas ouvidas, nesse ano juntaram-se todos aqueles que
discordavam da metodologia seguida pela UNL. Pais, professores, escolas e
partidos políticos expuseram as fragilidades de um "ranking" que ordenou
os estabelecimentos de ensino de acordo com a diferença entre a nota nos
exames e um "valor esperado". A ideia da equipa da UNL era tentar
contextualizar os resultados de acordo com alguns indicadores
sócio-económicos, mas a assumpção de que as escolas de um mesmo concelho
tinham o mesmo "valor esperado" (calculado a partir da escolarização da
população e do índice do poder de compra) acabou por ser um dos aspectos
mais criticados. A indignação estendeu-se às duas escolas que tiveram as
melhores notas a Português A e Matemática e que ficaram de fora do
"ranking" pela "excentricidade" das suas classificações, susceptíveis de,
estatisticamente, prejudicarem o conjunto.
A contestação foi de tal ordem que, este ano, David Justino optou por
voltar ao modelo inicial - divulgação dos dados em bruto -, mas com uma
diferença. No site
www.dapp.min-edu.pt encontram-se alguns dados que ajudam a
caracterizar cada uma das escolas. Por exemplo, o número médio de alunos
por turma, o número de professores, as taxas de transição (relativas a
1999/2000) ou o índice de custo por aluno. Com isso passa a ser possível
comparar o lugar no ranking com esses dados fornecidos escola a escola. |