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Público - 27 Set 03
Escolas Privadas Conquistam Lugares na Lista das Melhores
Por ISABEL LEIRIA
É privada a escola que obteve a média mais alta no conjunto dos oito
exames nacionais do 12º ano com maior número de alunos inscritos e são
privados os oito estabelecimentos de ensino que se seguem. Nos dez
primeiros lugares do "ranking" elaborado pelo PÚBLICO com o apoio de
especialistas do Centro de Estudos e Sondagens da Universidade Católica,
apenas o Conservatório de Música de Calouste Gulbenkian, em Braga,
interfere com o domínio do sector particular. Mas esta nem sequer é uma
instituição que possa servir de exemplo, já que só levou oito estudantes a
apenas um dos exames mais concorridos.
Alargando a análise às vinte posições cimeiras, a tendência mantém-se.
Apenas quatro estabelecimentos públicos figuram entre os melhores. No ano
passado, aconteceu com nove. Em 2001, com seis.
Este é desde logo um dos dados que salta à vista quando se olha para a
seriação das 615 escolas com ensino secundário. À semelhança dos dois
últimos anos, o PÚBLICO ordenou os resultados da 1ª fase dos exames
nacionais das disciplinas de Matemática, Português A, Português B,
História, Psicologia, Física, Química e Biologia, por estabelecimento de
ensino. Para o efeito, apenas foram consideradas as notas dos alunos
internos, ou seja, aqueles que frequentaram a escola durante todo o ano e
depois se apresentaram a exame. De fora ficaram estudantes externos e
auto-propostos.
É de acordo com estes critérios que o Colégio São João de Brito, em
Lisboa, lidera a tabela. Com um número considerável de provas realizadas -
239 -, foi o único a superar a fasquia dos 14 valores. Cabe-lhe ainda
outro recorde digno de registo: mais nenhuma escola conseguiu obter a
classificação mais alta de todas em duas disciplinas diferentes.
A Matemática, os 48 examinados tiveram 15,4 valores, exactamente o dobro
da média nacional (que inclui internos e externos). Os alunos ter-se-ão
preparado tão bem para os exames que, ao contrário do que acontece na
esmagadora maioria dos casos, tiveram melhores notas nestas provas do que
a que lhes foi atribuída internamente pelos seus professores. Também a
Psicologia, o São João de Brito conseguiu a média mais alta (ver P&R).
Antigas escolas técnicas mal classificadas
Atente-se ao que se passa no fundo da lista e o panorama é exactamente o
inverso, com 17 públicas a concentrarem-se nas últimas vinte posições.
Várias antigas escolas técnicas de Lisboa, como a Afonso Domingues, a
Marquês de Pombal ou a Fonseca Benevides, estão aqui.
Sendo certo que existem vários factores a determinar as classificações
médias - o número de provas realizadas é decisivo (ver caixa) -,
constate-se apenas que a situação mudou em relação a 2001 e 2002. Desde o
primeiro ano
em que o Ministério da Educação começou a disponibilizar os dados que
permitem estas comparações entre escolas, passou-se de um total de 26 para
32 estabelecimentos privados no conjunto dos cem melhor colocados quando
as instituições com este estatuto representam apenas cerca de 20 por cento
do total das 615 secundárias. Isto é, regista-se uma sobre-representação
das escolas privadas na parte de cima da tabela.
Entre as escolas públicas, o destaque vai para as secundárias Infanta D.
Maria, em Coimbra, Aurélia de Sousa, no Porto, e Dr. Joaquim Gomes
Ferreira Alves, em Vila Nova de Gaia. Excluindo o caso do Conservatório de
Música Calouste Gulbenkian, estas são as que apresentam as médias mais
elevadas.
Notas mais altas no litoral
O "ranking" permite ainda perceber como se distribuem pelo país as escolas
com os melhores e piores resultados nos exames nacionais. E se a presença
das instituições privadas no topo da tabela é flagrante, não menos
evidente é a concentração das melhores escolas nas grandes cidades do
litoral. Entre as vinte primeiras, apenas uma - o Colégio de Nossa Senhora
da Boavista - fica num concelho do interior, em Vila Real. Todas as outras
localizam-se na Grande Lisboa, Grande Porto, Coimbra, Braga e Vila Nova de
Famalicão.
O predomínio de concelhos do litoral é, aliás, esmagador. Olhando para as
cem médias mais altas, verifica-se que apenas pontualmente aparecem
escolas de outros municípios. São ao todo uma meia dúzia: quatro no
distrito de Viseu, uma em Vila Real e outra na Guarda A Madeira e os
Açores estão representados com uma instituição em cada arquipélago.
Quanto aos resultados globais, os números são, como não podia deixar de
ser face às já conhecidas baixas médias nacionais, bastante fracos. Quase
metade das secundárias (45 por cento) tiveram uma média inferior a dez
valores. Os piores resultados foram obtidos pelos 33 alunos da Escola
Básica Integrada da Pampilhosa da Serra. Para a média global de 5,9
valores registada nesse estabelecimento muito contribuiu o mau desempenho
a Matemática, com os 16 examinandos a não conseguirem ir além dos 2,6
valores. |