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Público - 15 Set 03
Bragança Perdeu Dois Mil Alunos em Dois Anos
Por ANA FRAGOSO
De ano para o ano, as escolas do distrito de Bragança vão ficando cada vez
mais desertas. Em 2002/2003, os estabelecimentos perderam, nos vários
graus de ensino, quase mil estudantes. No ano anterior, outros mil. Foi
este distrito, que o primeiro-ministro, Durão Barroso, escolheu para a
abertura oficial do novo ano lectivo.
O primeiro-ministro ouvirá as preocupações das entidades locais com a
realidade escolar de uma região que conta menos de 11.500 alunos nos
diferentes estabelecimentos de ensino, excluindo o superior.
O distrito de Bragança perdeu dois mil alunos em dois anos e a
desertificação escolar deixou de ser um problema exclusivo do 1º ciclo do
ensino básico, pois começa a ter reflexos em todos os graus de ensino. "A
nível do 1º ciclo, temos menos 162 crianças, do 5º ao 12º ano temos menos
650 estudantes" divulga o coordenador do Centro de Área Educativa (CAE) de
Bragança, Belmiro Gonçalves.
Nos 12 concelhos do distrito há apenas 10.787 estudantes a partir do 2º
ciclo. No ensino básico, divididas por 350 escolas, há 586 crianças, o que
em média dá menos de dois alunos por escola. "Esta é a realidade crua da
nossa região, que revela bem o fenómeno da desertificação e envelhecimento
da população", refere o coordenador do CAE.
Este ano, por ausência total de alunos, vão encerrar 16 escolas do 1º
ciclo de ensino no distrito de Bragança - uma em Carrazeda de Ansiães,
quatro em Bragança, três em Mirandela, duas em Mogadouro, uma em Vila
Flor, uma em Vimioso e três em Vinhais. Mas, se a legislação que determina
o encerramento de todas as escolas que têm menos de 10 alunos fosse
cumprida, 70 por cento das escolas primárias do distrito teriam de fechar
as portas: "Há nove escolas que vão funcionar com apenas um aluno, 20 com
dois estudantes e 43 com apenas três crianças", contabiliza Belmiro
Gonçalves.
Esta diminuição do número de estudantes reflecte-se a vários níveis: por
um lado revelam a morte lenta das aldeias do nordeste; por outro, cria-se
um grave problema na socialização das crianças, sobretudo nas escolas que
funcionam com apenas um ou dois alunos, "que ficam privadas do convívio
com colegas", acrescenta o responsável.
O problema não é de agora. Nas últimas década tem-se vindo a acentuar
gradualmente este processo de desertificação. Por falta de oportunidades
de trabalho, os jovens do distrito vão fugindo para o litoral do país ou
para o estrangeiro. Os que regressam ao distrito, concentram-se nas sedes
de concelho e sobretudo em Bragança. |