O volume do crédito malparado continua a registar
taxas de crescimento recorde e, no caso dos
empréstimos a particulares, o seu peso no total do
crédito concedido subiu pelo 12.º mês consecutivo.
De acordo com os dados ontem publicados pelo Banco
de Portugal, em Agosto, o crédito malparado
registou, nos empréstimos a particulares, uma
variação de 26,5 por cento face ao mesmo mês do ano
passado. Este é um valor que se aproxima do máximo
de 27,5 por cento atingido em Agosto de 2002, quando
a economia se preparava para entrar em recessão e o
desemprego disparava.
No caso das empresas, a subida é ainda mais rápida.
A variação homóloga foi, em Agosto, de 36,8 por
cento, o valor mais alto desde pelo menos Dezembro
de 2007, data em que o Banco de Portugal começou a
publicar estes dados.
A principal diferença do actual cenário face ao que
se vivia antes do euro e das taxas de juro baixas, é
o relativamente baixo peso que o crédito malparado
tem no total dos empréstimos concedidos. Mas mesmo
aqui, a tendência é bastante negativa. No caso dos
particulares, o peso do malparado atingiu em Agosto
um valor de 2,1 por cento, concretizando a 12.ª
subida consecutiva e colocando-se ao nível mais
elevado desde Abril de 2005. Ainda assim, este valor
está distante dos 2,9 por cento que se verificavam
há precisamente dez anos.
No caso das empresas, o peso do malparado também
está a subir de forma rápida, ultrapassando agora,
pela primeira vez desde 2004, a marca dos dois por
cento. Em 2008, o valor era de 5,8 por cento.
Exportações diminuem
Mas não é só ao nível do crédito que Portugal sente
os efeitos da crise internacional. As exportações
também estão a ser afectadas. Depois de um mês de
Julho positivo, as empresas portuguesas voltaram a
sentir dificuldades em vender os seus bens e
serviços no estrangeiro. Segundo o Banco de
Portugal, em Agosto, as exportações portuguesas
registaram, em termos nominais, uma quebra de 0,3
por cento face ao mês homólogo do ano anterior. As
vendas de bens mantiveram-se praticamente
inalteradas, enquanto a prestação de serviços para o
estrangeiro (que este ano têm sustentado as
exportações portuguesas) caíram 0,7 por cento.
Em termos históricos, são raros os meses em que as
exportações portuguesas caem em termos nominais.
Durante os últimos três anos, apenas tinha
acontecido em mais um mês, o de Março de 2008, o que
mostra os problemas que se fazem sentir no sector
exportador nacional. S.A.