Crise faz desemprego disparar 16% em Setembro Manuel Esteves
IEFP. O número de pessoas que se inscreveram nos
centros de emprego no terceiro trimestre é o mais
alto desde, pelo menos, 2003. Em Setembro, o
crescimento foi de 16,4%, o mais alto dos últimos
quatro anos.
Fim de contratos é a causa mais comum de desemprego
A crise financeira e a forte travagem do crescimento
económico estão já a sentir-se no mercado de
trabalho. Em Setembro, inscreveram-se nos centros de
emprego 65,9 mil pessoas, o que representa um
crescimento de 16,4% face ao mesmo mês do ano
anterior - o maior registado no nono mês do ano
desde, pelo menos, 2004 (o site do Instituto de
Emprego e Formação Profissional não tem dados mais
recentes). Em relação ao mês anterior, a variação
foi, como é habitual em Setembro, bastante acentuada
- de 52,7%.
Mais preocupante, porque mais estrutural, é a
evolução trimestral. Durante o terceiro trimestre
(que terminou no mês passado), inscreveram-se nos
centros de empregos 159,8 mil desempregados. Não só,
é o valor mais alto (ainda que marginalmente) desde,
pelo menos, 2003, como a variação homóloga, de
12,4%, é a mais acentuada desde 2004.
O tendencial aumento do número de pessoas que se
regista nos centros de emprego já se começou a
reflectir no stock (número acumulado) de
desempregados do IEFP. Em Setembro, ascendia a 395,2
mil. Embora o número seja inferior ao registado no
mesmo período do ano anterior, a diferença é já
residual (0,7%), o que contrasta com as variações de
dois dígitos que dominaram boa parte de 2007 e
início de 2008.
Quatro em 10 estavam a prazo
Como é habitual, o principal motivo invocado pelas
pessoas que se matricularam como desempregados no
IEFP é a não renovação de contrato a termo. Em
Setembro foram 25,4 mil, cerca de 40% do total.
Este motivo de despedimento registou um crescimento
inferior ao médio. Pelo contrário, o número de
pessoas que foi despedida no nono mês do ano, 10,4
mil, cresceu muito mais (38,4%), o mesmo se passando
com os trabalhadores que, por uma razão ou outra,
optaram por rescindir o contrato (4697), que
aumentaram em 31,1%.
Ofertas e colocações crescem
Mas os números sobre a actividade do IEFP também
trazem boas notícias. Em Setembro, os empregadores
apresentaram aos centros de emprego um conjunto de
13 mil ofertas de emprego, mais 17% do que no mês
homólogo e mais 25% do que em Agosto. Por outro
lado, os serviços do IEFP conseguiram arranjar
emprego a 6785 pessoas, o que representa um
crescimento homólogo e mensal de 24% e 32%,
respectivamente.