Pobreza: mais de cem pessoas morrem todos os anos
em Lisboa São pessoas que estão completamemte sós numa
cidade com meio milhão de habitantes
Numa cidade com meio milhão de habitantes como
Lisboa há quem viva tão só que mesmo na hora de
morrer não tem quem o acompanhe. Este ano, 146
pessoas morreram sozinhas na cidade, desconhecidos
que a Misericórdia vai lembrar esta sexta-feira.
São pessoas sem família ou amigos. São desconhecidos
que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai
recordar hoje, Dia Internacional para a Erradicação
da Pobreza e dos Sem Abrigo, numa missa celebrada
pelo Bispo Auxiliar de Lisboa na Igreja de S.Roque.
No entanto, a ideia é, em anos futuros, alargar a
iniciativa a todas a confissões religiosas.
Na igreja vão estar 146 bandeiras com o nome de cada
uma das pessoas que desde o início do ano e até esta
semana morreram completamente sós.
18 por cento dos portugueses abaixo do limiar da
pobreza
Fazer as cerimónias fúnebres a quem morre sozinho em
casa, nos hospitais ou nas ruas da cidade de Lisboa
é uma das missões da Irmandade de S.Roque da Santa
Casa da Misericórdia.
Todos os anos morrem na capital pelo menos 100
pessoas nestas condições. São jovens, idosos,
crianças, portugueses e estrangeiros.
Há um pouco de tudo, explicou à Lusa Mariana Cajulo,
voluntária da Irmandade de S.Roque.
«Fazer o serviço fúnebre com toda a dignidade dando
a estas pessoas um funeral condigno é uma das
missões da Santa Casa da Misericórdia e da
Irmandade», explicou.
A iniciativa pretende assinalar uma data e ao mesmo
tempo prestar uma homenagem a estas pessoas.
No futuro, explicou Mariana Cajulo, há a ideia de
fazer com que esta cerimónia seja feita com todas as
confissões religiosas.
«Afinal quando ajudamos um sem abrigo também não
perguntamos de que religião é e sobre estas pessoas
também desconhecemos qual a sua fé», disse.
Em Lisboa, segundo dados da autarquia, há pelo menos
mil pessoas a viver na rua.
A irmandade de S.Roque nasceu quase na mesma altura
da Santa Casa da Misericórdia. Foi instituída no
século VI e está dotada de estatutos próprios.
Esta Irmandade ainda hoje existe, conservando-se em
seu poder a Relíquia de São Roque e a bula que
atesta a sua criação.