Há mais portugueses a recorrer a instituições Ana Bela Ferreira
Pobreza. Números da AMI revelam aumento
significativo de carenciados
AMI ajudou 1400 pessoas, pela primeira vez, até
final do mês de Junho
Nos primeiros seis meses do ano, 4695 portugueses
procuraram apoio social junto das estruturas da AMI.
Um número que representa 64% do valor total de
pessoas que recorreram à AMI durante todo o ano de
2007 e um dado revelador do empobrecimento crescente
das famílias em Portugal. Uma realidade para
reflectir, em especial hoje, que se assinala o Dia
Internacional da Erradicação da Pobreza.
A maioria das pessoas que recorreram ao apoio da AMI
tem entre os 21 e os 59 anos, ou seja, está em plena
idade activa. De acordo com os dados divulgados pela
instituição, das 4695 que já pediram auxílio este
ano, 1400 fizeram-no pela primeira vez.
O principal motivo apontado por quem chega aos
centros sociais Porta Amiga é "a precariedade
financeira", revela a AMI, em comunicado. As pessoas
que recorrem a este apoio social procuram
maioritariamente os serviços de distribuição de
géneros alimentares, roupa e medicamentos. Uma
situação preocupante, tendo em conta o aviso da AMI:
"a quantidade de alimentos é cada vez menor,
enquanto aumenta o número de famílias apoiadas".
O serviço de Apoio Domiciliário da AMI serviu, no
primeiro semestre, 74 pessoas, 93% das quais com
mais de 70 anos. À semelhança dos outros casos, o
número de pessoas que pediu ajuda está "muito acima
da média anual verificada ao longo dos últimos oito
anos", diz o documento.
Também os abrigos nocturnos registaram um aumento de
afluência, graças ao registo de novos casos de
homens sem-abrigo. As equipas de rua que actuam em
Lisboa, Porto e Vila Nova de Gaia também registaram
um crescimento na procura. Nos primeiros seis meses
de 2008, contabilizaram-se 60 novos casos, enquanto
durante todo o ano de 2007 foram atendidas 85
pessoas.
O balanço da AMI mostra um aumento da pobreza em
Portugal, facto que a instituição considera "preocupante"
no que respeita à capacidade de resposta das ONG.