Uso de doping entre os jovens está a aumentar Problema pode ter enormes repercussões em termos
de saúde pública, diz especialista
O uso de substâncias dopantes na adolescência é um
problema que está a progredir junto da população
escolar portuguesa, podendo ter enormes repercussões
em termos de saúde pública, alertou esta
quinta-feira um membro da Conselho Nacional
Antidopagem (CNAD).
Falando no âmbito do 9º Congresso Nacional de
Pediatria, a decorrer no Porto, Luís Horta, membro
do CNAD e especialista em medicina desportiva e
fisiatria, afirmou que o uso de esteróides
anabolizantes é já «um problema de saúde pública em
alguns países».
Segundo referiu, a utilização destas substâncias nos
ginásios e nas escolas dos países mais desenvolvidos
atinge dimensões muito preocupantes, sendo que em
Portugal o problema não pode ser negado.
«A ponta do iceberg»
«O problema é que, para já, só estamos a ver a ponta
de cima do iceberg», disse, acrescentando que quando
as consequências mais nefastas do uso destas
substâncias aparecerem poderá ser tarde demais. No
seu entender, os malefícios aparecem dentro de 10 a
20 anos e é preciso sensibilizar o quanto antes para
este problema, de modo a «evitar o que aconteceu com
o excesso de peso e a obesidade».
Luís Horta apontou a globalização como um «mecanismo
de propagação rápida e de difícil controlo da
problemática», uma vez que estas substâncias
dopantes estão muitas vezes a um simples clicar do
rato, via Internet.
Para resolver o problema da utilização de
substâncias dopantes fora do desporto de competição,
o especialista defendeu a aposta nas iniciativas
informativas e educativas, bem como a promoção de
boas práticas e o financiamento de estudos no âmbito
das ciências sociais.
Influência dos vídeo-jogos
«Há necessidade de se realizarem estudos aos nível
das ciências sociais para que se perceba, por
exemplo, que importância podem ter os vídeo-jogos ou
as personagens de banda desenhada» nos adolescentes
e no consumo destas substâncias, frisou.
De acordo com um estudo canadiano sobre a existência
do problema a nível escolar, publicado em 1993,
cerca de 50 por cento dos jovens utilizadores
referiram a melhoria do rendimento desportivo, mas a
outra metade referiram também desejar a melhoria da
sua imagem corporal.