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Público - 5 Out 03
Sete Alunos Vão Ser Suspensos em Santarém
Por A.S.
Quinze dias de suspensão. É esta a proposta de pena apresentada pela
comissão de inquérito constituída pelo Instituto Politécnico de Santarém
para apurar o que se passou nas praxes da Escola Superior Agrária, no ano
lectivo passado. Sete alunos vão ser castigados. O relatório seguiu para o
ministro da Ciência e do Ensino Superior e foi despachado esta semana,
antes de Lynce ter apresentado a demissão.
O Instituto Politécnico de Santarém aguardava a assinatura de Lynce para
aplicar a "exclusão de frequência" aos alunos, afirmou a relações
públicas, Céu Martins. É este o desfecho do caso da Agrária de Santarém.
Foi no final de Fevereiro que a caloira de Engenharia Agro-Alimentar
enviou a Pedro Lynce uma carta onde relatava ao pormenor as praxes vividas
em Outubro. Nela contava, por exemplo, como foi esfregada com esterco,
insultada durante horas, virada de pernas para o ar com a cabeça num
penico, obrigada a fazer flexões, às vezes cem por dia. O caso foi
encaminhado para a Procuradoria-Geral da República. O assunto "praxes
violentas" chegou mesmo a ser debatido no Parlamento.
Já antes de Santarém, um outro caso, no Instituto Piaget de Macedo de
Cavaleiros (ver texto nestas páginas), chamara a atenção para a
necessidade de reitores e presidentes de politécnicos terem meios para
actuar em situações semelhantes. É que, para instaurar um processo
disciplinar a um estudante e aplicar-lhe uma sanção, qualquer responsável
por uma instituição pública portuguesa tem, actualmente, de valer-se de
uma lei com mais de 70 anos. Uma proposta de um estatuto disciplinar mais
moderno já foi enviada pelas instituições de ensino ao ministro. Até 15 de
Outubro as associações de estudantes deverão pronunciar-se.
Entretanto, a aluna queixosa de Santarém, que deixou de frequentar as
aulas, conseguiu transferência para outra escola. |