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Público - 17 Out 03
Perguntas e Respostas
O que é a pobreza?
A pobreza foi durante muito tempo associada apenas à insuficiência de
rendimentos e consumos. Nesta perspectiva mais tradicional define-se uma
linha de pobreza em termos absolutos ou relativos segundo um determinado
nível de rendimento e/ou consumo, sendo pobres os que se encontram abaixo
dessa linha.
Mas o conceito de pobreza tem vindo a alargar-se centrando-se na
insuficiência de recursos também de natureza social, cultural, política e
ambiental. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento, a pobreza é a incapacidade de "desenvolver uma vida
longa, saudável e criativa e de usufruir de um nível decente de vida, com
liberdade, dignidade, respeito por si próprio e respeito dos outros", uma
perspectiva mais recente que contempla a natureza social da pobreza, com a
consequente degradação das relações sociais aproximando-se do conceito de
exclusão social, lê-se nas definições de pobreza constantes de "A Luta
contra a pobreza e a exclusão social" (2003).
Que factores explicam a pobreza em Portugal?
Os factores são diversos mas alguns deles podem dividir-se em duas
dimensões: uma tradicional mais associada ao atraso estrutural do país que
se traduz nas pensões de reforma baixas, baixa escolaridade da população,
empregos de baixos salários; dentro dos factores de segunda ordem
incluem-se transformações nos quadros da família (por exemplo, as mulheres
em situações de monoparentalidade são uma das categorias sociais mais
vulneráveis à pobreza e à exclusão social) e factores demográficos com as
novas vagas de imigração, explica Luís Capucha, sociólogo do Instituto
Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Qual a dimensão da pobreza em Portugal?
Cerca de 21 por cento dos portugueses têm um rendimento inferior ao
limiar de pobreza (cerca de 350 euros), seis pontos mais do que a média
europeia de pobreza (15 por cento), indicam os dados mais recentes do
Eurostat (referentes a 2000) publicados este ano.
Quem são os mais pobres em Portugal?
A grande maioria dos pobres em Portugal continua a ser os idosos
pensionistas, empregados de baixos rendimentos, pequenos agricultores e
camponeses. Das novas categorias de pobres fazem parte os grupos étnicos e
culturais minoritários, as famílias monoparentais. Entre os grupos de
maior vulnerabilidade incluem-se também, em menor número, os desempregados
de longa duração, os sem-abrigo, os toxicodependentes e
ex-toxicodependentes, os detidos e ex-reclusos e as pessoas com
deficiência.
A pobreza está a diminuir em Portugal?
Portugal conheceu uma diminuição da taxa de pobreza na segunda metade
da década de 90: em 1995, 23 por cento de portugueses tinham um rendimento
inferior ao limiar de pobreza; desde 1998 até 2000 este valor diminuiu e
estacionou nos 21 por cento. No entanto, segundos os académicos
contactados pelo PÚBLICO parece existir uma atenuação das situações de
pobreza resultante do aumento das pensões mais baixas e da implantação de
medidas sociais como o rendimento mínimo de inserção.
C.G. |