Público - 8 Out 03

Pais Avaliam Positivamente a Escola dos Filhos
Por ISABEL LEIRIA

Se os pais portugueses pudessem dar notas às escolas onde têm os filhos matriculados, o resultado seria um Suficiente Mais no caso das instituições públicas e um Bom nas privadas. De acordo com uma sondagem realizada pela Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, nenhum dos aspectos relacionados com as condições físicas, a qualidade do corpo docente, segurança ou disciplina merece uma apreciação negativa por parte dos inquiridos.

Não é pois de estranhar que dois em cada três inquiridos digam que o seu filho está na escola em que gostariam que estivesse, contra 27 por cento que manifestam a opinião contrária. Esta última percentagem desce consideravelmente - para dez por cento - se só forem tidas em conta as respostas dos pais que têm filhos a frequentar o ensino particular.

Há no entanto uma característica das instituições de ensino que a maioria dos pais avaliam negativamente: quer em relação à escola pública, quer à privada, quase 50 por cento consideram que a turma do filho tem alunos a mais. Um em cada três acham que "está bem assim". Cerca de cinco por cento entendem que a turma tem estudantes a menos.

O ideal mesmo seria que o rácio aluno/professor fosse de 17,8 - defendem os 332 inquiridos que declararam ter a seu cargo crianças ou jovens que frequentam o ensino básico ou secundário (quando têm mais do que um, as questões foram colocadas sobre o que fez anos há menos tempo).

No que respeita à assiduidade dos professores, qualidade, disciplina, disponibilidade para atender os encarregados de educação e direcção da escola, a média das respostas oscilou entre os 3,8 e o 4 (numa escala de 0, muito mau, a 5, muito bom). Mas também é certo que a satisfação em relação às escolas privadas tende a ser maior do que em relação às públicas. A assiduidade dos docentes foi o item em que essa diferença se revelou maior, com os pais dos alunos do ensino estatal a atribuir um 3,8 e os outros a dar quase a nota máxima (4,5).

Numa análise por níveis de ensino verifica-se que também existem algumas diferenças de apreciação. A assiduidade do corpo docente parece ser mais problemática nos 2º e 3º ciclos do ensino básico (do 5º ao 9º ano) e menos no 1º ciclo e secundário. Já a qualidade dos professores é vista de forma menos positiva (3,6 pontos) nos graus de ensino mais elevados (3º ciclo e secundário). De resto, em relação aos outros aspectos - disciplina, disponibilidade e direcção - não há variações que possam ser consideradas significativas.

Também se registam opiniões mais favoráveis em relação ao privado do que ao público quando se pede para avaliar as condições físicas (segurança, instalações, limpeza, conforto, pessoal auxiliar, material didáctico) dos estabelecimentos de ensino. Ainda assim, em ambos os casos, as apreciações são sempre mais positivas do que negativas, variando entre o 3,3 e o 3,6 no ensino estatal e o 3,8 e o 4,1 nas privadas.

Sobre os equipamentos da escola - ginásio, cantina/refeitório, biblioteca, sala de computadores e laboratórios - o padrão de respostas é em tudo semelhante: opiniões globalmente positivas, maior satisfação nas privadas e, nos aspectos em que se registaram diferenças estatisticamente significativas, sempre com prejuízo para o ensino secundário.

Pais querem filhos na universidade

Questionados sobre o percurso escolar que gostariam que o filho fizesse, os pais não têm dúvidas e dizem maioritariamente que preferem a opção por um curso universitário. Foi esta a resposta dada por 67 por cento dos inquiridos. Excluindo aqueles que dizem que não sabem ou que é muito cedo para saber (13,3 por cento), todas as outras opções são marginais.

Mesmo no que respeita ao prosseguimento de estudos, a escolha é clara e apenas 3,6 por cento dizem preferir um curso politécnico para os filhos. Acabar a escolaridade obrigatória e procurar trabalho só é opção para 1,5 por cento dos pais. Menos de seis por cento querem que os filhos acabem os estudos mal terminem o 12º ano.

A maior preocupação dos pais em relação à educação dos filhos é, sem dúvida, o futuro profissional. Os amigos com quem anda, o desenvolvimento da sua personalidade ou o rendimento escolar são também dores de cabeça para grande parte dos inquiridos. Mesmo assim, a carreira acabou por ser eleita pela maioria (54,7 por cento).

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