Público - 22 Out 03

Portugal É Um dos Países da UE com Menor Taxa de Mortalidade Materna
Por CATARINA GOMES

Portugal é um dos países do mundo e da União Europeia com menor taxa de mortalidade materna: cinco mães em cada 100 mil nascimentos perdem a vida durante e por consequência do parto. Os dados, relativos a 2000, constam do relatório sobre mortalidade materna produzido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a População e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), publicado ontem.

Portugal tem uma taxa de mortalidade materna inferior à da Alemanha, França ou Holanda. Entre os 15 estados-membros da União Europeia, apenas Áustria, Espanha e Suécia têm uma taxa de mortalidade de mães inferior à portuguesa, sendo que Portugal apresenta também valores de mortalidade materna melhores do que os da média europeia (que é de 24 mortes por cada 100 mil habitantes).

Mas não é na Europa que se concentram os maiores problemas, constata o estudo. Embora se registe a estabilização das taxas de mortalidade materna entre 1995 e 2000, assinala-se que menos de um por cento do total de mortes por parto registadas em 2000 (529 mil mortes) ocorrem em países desenvolvidos (2500 mortes).

África (251 mil) e Ásia (253 mil) concentram 95 por cento das situações registadas. No continente africano as mulheres têm uma probabilidade de morte de um em cada 16 nascimentos - um rácio 175 vezes maior do que no Ocidente, revela o documento.

"Pessoal especializado é vital"

A maior parte destas mortes é resultado da falta de assistência por pessoal especializado durante a gravidez e o parto e de acesso a serviços médicos de emergência quando surgem complicações. Durante a apresentação do relatório, o director-geral da OMS, Lee Jong-wook, acrescentou que muitas mulheres africanas dão à luz sozinhas ou com a ajuda de pessoas sem qualquer formação. "Pessoal especializado é vital para a identificação e prevenção de crise médicas", disse à Reuters.

Já Thoraya Ahmed Obaid, director executivo do Fundo das Nações Unidas para a População, afirmou que muitas vidas seriam salvas se as mulheres tivessem acesso a planeamento familiar voluntário.

As agências informaram que, no ano de 2000, a taxa de mortalidade maternal por cada 100 mil nascimentos era de 20 nos países desenvolvidos, 920 na África subsariana. Esta mesma taxa no centro e sul da Ásia andava nos 520 e no sudoeste asiático situava-se nos 210. Na Oceânia foi de 240 e na América Latina e Caraíbas de 190.

Os dois países com piores resultados são a Serra Leoa e o Afeganistão, países que passaram por anos de guerra civil e onde os riscos de morte nas mulheres grávidas são de tal forma elevados que em cada seis partos é provável que uma mulher perca a vida.

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