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Público - 22 Out 03
As Propinas Noutros Países Europeus
Espanha
Propinas triplicam salário mínimo
A média do valor das propinas nas universidades públicas espanholas ronda
os 1500 euros anuais, equivalente ao triplo do salário mínimo, fixado este
ano pelo Governo em 451 euros. O montante é decidido pelos executivos
autónomos (regionais), que têm competências em matéria educativa, embora o
valor de 1500 euros seja uma mera média indicativa. Para chegar a esta
média foram ponderadas as propinas de acordo com o número de universidades
públicas existente nas comunidades e feita igual equação entre os
denominados "cursos técnicos e experimentais" - os mais caros, pois
implicam aulas em laboratórios - e as humanidades. Os 1500 euros anuais
podem, no entanto, ser pagos em duas ou três prestações. Nuno Ribeiro,
Madrid
Alemanha
Ensino superior é gratuito
Na Alemanha, os 16 "Länder" [estados federados] dispõem de autonomia
cultural, o que inclui a educação. Todavia, o governo federal define as
linhas gerais para o ensino superior, o que garante a homogeneidade do
sistema. O ensino superior é de acesso livre (com excepções em cursos como
Medicina ou Psicologia) e gratuito. A introdução de propinas é um tema
polémico que divide governos regionais e partidos. Em nenhuma universidade
pública alemã se fixaram propinas de frequência, embora a legislação o
possibilite desde há alguns anos. Existem tarifas administrativas (que
variam, por exemplo, entre 40 a 80 euros por semestre nos estabelecimentos
de ensino superior de Baden-Wuerttemberg ou 120 euros semestrais no Sarre,
e em ambos casos este valor inclui o passe para os transportes públicos) e
propinas para estudantes "eternos" (aqueles que ultrapassaram já em quatro
semestres o tempo de duração prevista dos cursos). A discussão sobre esta
matéria ganhou recentemente nova dinâmica com o apelo conjunto
pró-propinas do presidente da conferência de reitores alemã, Klaus
Landfried, e do presidente da Confederação Patronal (BDA), Dieter Hundt,
apelo esse secundado pela ministra da Educação, Edelgard Bulmahn.
H.F.G., Frankfurt
França
Tutela estabelece máximos e mínimos, o resto é com as escolas
As universidades públicas francesas têm a liberdade de fixar as propinas,
mas dentro de um leque mínimo e máximo estabelecido pelo Ministério da
Educação Nacional. As propinas dos estudantes matriculados no 1º ciclo do
ensino superior (licenciatura) variam entre 140 e 260 euros anuais por
estudante. As variações de curso para curso são mínimas, por vezes
inexistentes e sempre dentro destes limites. As propinas mais elevadas
representam cerca de 25 por cento do salário mínimo mensal em França (1100
euros). Mas os estudantes pagam em função dos rendimentos dos pais. Assim,
se estes auferem apenas o salário mínimo, o estudante beneficia de uma
bolsa de estudos que lhe confere isenção de propinas. Em contrapartida, os
estudantes cujos pais exercem profissões liberais, são comerciantes ou
empresários não têm direito a não pagar. A partir dos 18 anos, os
estudantes devem pagar ainda uma taxa para a segurança social estudantil,
da ordem de 150 euros por ano. Um seguro complementar não obrigatório, mas
feito por quase todos, de 15 euros por ano, cobre na totalidade algumas
das despesas médicas reembolsadas só a 70 por cento pela segurança social.
Um estudante sem direito a bolsa pagará assim, na matrícula, entre 290 a
410 euros, acrescidos do seguro complementar. Um estudante isento de
propinas paga cerca 150 euros (para a segurança social). Entre estes
extremos de 150 a 410 euros há inúmeras configurações possíveis, em função
dos rendimentos dos pais - ou do estudante - e dos cursos escolhidos.
Inglaterra
Blair quer instituir liberdade de fixação das prestações
Os estudantes ingleses pagam actualmente 1125 libras de propina por ano
(cerca de 1600 euros), independentemente do curso que frequentem.
Consoante os seus rendimentos, podem ainda ser beneficiados com uma
redução parcial ou isenção total do pagamento desta taxa. No entanto, este
cenário poderá mudar radicalmente, caso a reforma defendida pelo Executivo
de Tony Blair seja aprovada. A ideia é, a partir de 2006, dar a
possibilidade às instituições de ensino de fixar livremente as propinas
que querem cobrar, até ao limite máximo de três mil libras (cerca de 4300
euros), actualizáveis de acordo com a inflação. Mas essa taxa só seria
cobrada depois de os estudantes iniciarem a sua vida profissional e a
partir do momento em que obtivessem um rendimento superior a 17 mil libras
por ano. Para isso o Governo prevê a criação de um "imposto de graduação".
Quanto às universidades, a liberdade para aumentar as propinas estaria
dependente de uma condição: cumprirem as metas previstas para a admissão
de jovens de diferentes estratos socioeconómicos. Os planos são polémicos,
mesmo no seio do Partido Trabalhista, com os mais críticos a acusar o
Governo de criar um sistema de ensino superior de primeira e outro de
segunda, com as universidades a dividirem-se consoante aquilo que podem
cobrar e os estudantes divididos segundo o que podem pagar. O
primeiro-ministro argumenta que o reforço do financiamento por parte das
famílias é inevitável (a propina actual corresponde aproximadamente a 1,5
salários mínimos nacionais), até porque os benefícios individuais
decorrentes de uma habilitação superior são muito consideráveis.
I.L. |