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Público - 16 Out 03
Governo Quer Consolidar Política de Emprego
Por PÚBLICO/LUSA
O ministro da Segurança Social e do Trabalho, António Bagão Félix,
apresentou ontem na Assembleia da República o Plano Nacional de Emprego,
que define como objectivo para os próximos três anos a consolidação da
actual estrutura de mercado e a manutenção da taxa de emprego global
superior à média estabelecida pela Cimeira de Estocolmo para 2005 - 67 por
cento. Os objectivos do ministério foram recebidos com cepticismo pela
oposição.
De acordo com os dados apresentados ontem por Bagão Félix, a taxa de
emprego global em Portugal era de 67,2 por cento entre o final de 2002 e o
início deste ano. Outras metas do Plano Nacional de Emprego são manter a
taxa de emprego das mulheres acima dos 60 por cento (60,7 por cento no
segundo trimestre de 2003) e a dos trabalhadores mais idosos acima dos 50
por cento (regista-se agora 51,2 por cento para a faixa etária entre os 55
e os 64 anos, segundo o ministro). "As metas previstas pela União Europeia
já estão atingidas, mas agora é preciso consolidá-las", justificou Bagão
Félix.
Entre os objectivos a atingir, destacam-se ainda a redução da taxa de
abandono escolar precoce, dos actuais 40 por cento para 35 por cento em
2005 e 25 por cento em 2010, e o crescimento do número de trabalhadores
atingidos pela formação contínua dos actuais 3,7 por cento para seis por
cento em 2006 - Bagão Félix esclareceu mesmo que, de acordo com o Código
de Trabalho, dez por cento dos trabalhadores têm que beneficiar de
formação profissional.
O ministro aproveitou a presença na Assembleia para apresentar também aos
deputados o Plano Nacional de Acção Para a Inclusão (PNAI) para os
próximos três anos, que prevê o aumento do número de creches do Estado de
modo a abranger vinte por cento das crianças dos zero aos três anos em
2005.
A apresentação do PNAI, justificada pelo ministro pela sua interligação
com o Plano Nacional de Emprego, foi criticada pelos deputados por não
estar incluída na agenda da Comissão de Trabalho e Assuntos Sociais. Mas
as principais críticas do Partido Socialista e do Partido Comunista
Português foram para o Plano Nacional de Emprego. O deputado socialista
Vieira da Silva considerou-o "excessivamente optimista" e duvidou da
existência de mecanismos para o colocar em prática, enquanto a deputada
comunista Odete Santos questionou o ministro quanto à forma de combinar o
combate ao abandono escolar precoce e a formação profissional com a taxa
de pobreza que se regista em Portugal.
Para Bagão Félix, o aumento de salários tem que se relacionar com o
aumento da produtividade, que, por seu turno, favorecerá as empresas, os
trabalhadores e a qualidade do emprego. Questionado sobre a actual
situação do desemprego, Bagão Félix sustentou que as Grandes Opções do
Plano (GOP) para 2004 prevêem uma taxa de desemprego semelhante à
verificada em 2003, ou seja, entre os 6,5 e os 6,75 por cento. "O
desejável era que em 2006 a taxa fosse de 4,45 por cento", disse o
ministro, que deixou ainda críticas ao Governo anterior: "O desemprego
também aumentou porque nos últimos três anos do Governo PS foram admitidas
100.000 pessoas na Administração Pública, prejudicando a economia e o
sector privado." |