Maioria dos portugueses está com dificuldades
para pagar as contas mensais
A obrigação de pagar as contas ao final do mês está
a ser difícil de cumprir para 71 por cento dos
portugueses. Ainda assim, as famílias consomem cada
vez mais. Gastaram mais 5,5 por cento com compras
entre Janeiro e Agosto de 2008, sobretudo, com
alimentação.
De acordo com um estudo da TNS, Portugal é um dos
países que registam maiores dificuldades em pagar as
contas mensais na Europa, estando apenas à frente da
Bulgária neste campo. Um paradoxo, face ao aumento
de consumo registado nos primeiros oito meses do
ano.
Os portugueses estão a gastar mais 5,5 por cento, ou
seja, 65 euros, do que em igual período de 2007,
apesar de os preços terem subido 7,1 por cento,
conclui o estudo. O orçamento é cada vez mais
dedicado à alimentação, cujo consumo cresceu 75 por
cento, em detrimento de produtos de drogaria e de
higiene.
Apesar deste aumento, nota-se uma tendência para
procurar os melhores preços. Em média, cada lar
visita quatro superfícies comerciais diferentes.
Quando decidem gastar dinheiro, preferem os cestos
aos carrinhos de compras.
No estudo sobre "Metamorfoses do Consumidor", a TNS
verificou especial mudança de comportamentos de
compra em dois sectores de actividade específicos:
têxteis e combustíveis.
No que diz respeito ao primeiro, concluiu que os
portugueses têm evitado ir às lojas, verificando-se
menos 408 mil compradores no primeiro semestre de
2008. Apesar desta diminuição, os portugueses
conseguem comprar cada vez mais artigos por menos
dinheiro. É que, embora haja uma diminuição de seis
euros por compra, há uma subida de 8,3 por cento em
volume. A Zara é líder de mercado em valor gasto
pelos consumidores, enquanto as cadeias de
distribuição moderna, como o Continente e o Jumbo,
ganham em termos de quantidades adquiridas.
Quanto aos combustíveis, registou-se menos 218 mil
compradores, quando comparado o período de Janeiro a
Abril com Maio a Agosto de 2008, o que provocou uma
quebra de 999 mil abastecimentos e de 18 milhões de
litros consumidos. As grandes petrolíferas continuam
a dominar as preferências dos portugueses (65 por
cento), seguidas de perto pelos hipermercados (19
por cento). Espanha retém uma fatia residual (quarto
por cento).
A TNS concluiu ainda que 59 por cento dos
portugueses acreditam que a economia nacional vai
piorar no próximo ano. Tal como no resto da Europa,
a grande preocupação está ligada ao aumento dos
preços. R.A.C.