CES Medidas anti-crise do Governo são insuficientes Rui Peres Jorge
O Conselho Económico e Social (CES) considera que as
medidas anti-crise do Governo são insuficientes para
ajudar a economia nacional a enfrentar a actual
crise e que mais terá de ser feito por parte do
Estado para dinamizar a procura interna. Caso não
tal não aconteça, e dada a rápida degradação das
condições económicas internas e externas, Portugal
enfrenta “um cenário de grave recessão interna”, diz
a instituição no primeiro parecer que fez a um
Orçamento do Estado e a que o Negócios teve acesso.
Para o CES a redução da taxa de IMI, o aumento da
dedução no IRS de despesas com juros do crédito à
habitação, o aumento dos gastos sociais em 8,2%, a
redução da taxa de IRC para as empresas mais
pequenas são medidas que “parecem ser insuficientes
dada a gravidade da situação” económica.
Neste contexto, o CES defende o aumento dos apoios
às famílias e empresas e o aumento do défice
orçamental. O documento é ainda muito duro para com
as previsões económicas que Governo inclui no OE,
afirmando que o cenário macroeconómico é “pouco
plausível”, apontando para uma recuperação económica
em 2009 sobre a qual não existe “a mínima indicação
que venha a acontecer” e que a previsão de
manutenção da taxa de desemprego nos 7,6% defendida
pelo Executivo é “um objectivo que parece
praticamente inalcançavel”.