Sucesso escolar e exames nacionais Fernando Nunes Pedro, Lisboa
Logo que o actual Governo PS tomou o poder, Sócrates
foi à Finlândia estudar o segredo do sucesso
escolar. Pesquisei e li vários textos sobre o
benchmarking entre Portugal e a Finlândia.
Curiosamente não vi aplicada qualquer ideia que
tenha vindo de lá. Porventura seguiram algumas, mas
"adaptadas", mal.
No que concerne a "avaliação", a base é a seguinte:
a) toda a responsabilidade às escolas e aos
professores; b) dignificação máxima da carreira de
professor e c) avaliação segundo resultados dos
alunos em exames nacionais.
Naturalmente devem dividir os resultados entre: 16 e
20; 13 e 15; 10 e 12; 8 e 10 e menos de 8. Aos que
têm melhores notas corresponde um prémio de + 20% ou
+10%. Entre 10 e 12 mantém-se a retribuição e abaixo
de 10 haverá um conjunto de procedimentos tais como
formação, ajuda interescola, prazos para melhoria
até ao convite para mudar de profissão. As escolas
de áreas de risco terão um factor K de adaptação ao
contexto nacional.
Até aos meus 16 anos de idade fiz os seguintes
exames nacionais: 4ª classe, admissão ao liceu; 2º
ano do liceu; 5º ano; 7º ano e admissão à faculdade.
Seis exames no total, e em Angola. Imagino o que não
custaria fazer exames nacionais em todo o império
português. O meu neto de 16 anos ainda não fez um
único exame nacional!
A falta de exames nacionais não será exactamente
porque o ministério e os seus funcionários viriam a
ter muito mais trabalho? Ou é porque custa muito
dinheiro? Mas sem investimento como é que se quer
ter bom ensino?