Diz presidente do Eurogrupo Europa enganou-se "rotundamente" ao pensar que
escaparia à crise
A Europa enganou-se "rotundamente" ao acreditar que
seria poupada à crise financeira nascida nos Estados
Unidos no Verão de 2007, admitiu hoje o líder dos
ministros das Finanças da Zona Euro, o luxemburguês
Jean-Claude Juncker.
"Enganámo-nos rotundamente relativamente às diversas
sequências desta crise", disse o responsável do
Eurogrupo numa audição perante a comissão dos
Assuntos económicos do Parlamento Europeu.
A Comissão Europeia acaba de rever as suas previsões
de crescimento: estima que a Zona euro já entrou em
recessão, definida tecnicamente por dois trimestres
consecutivos de recuo do PIB, e espera uma
estagnação (0,1%) no próximo ano.
"Não pensamos ser a altura de ficar de braços
cruzados face ao abrandamento conjuntural, perante a
recessão que nos espera quando tínhamos pensado que
não nos esperaria", disse ainda.
Juncker defendeu que os governos europeus, e
nomeadamente os com margem orçamental para fazê-lo,
deviam "tomar medidas dirigidas no curto prazo para
não deslizarmos para uma situação de recessão
pronunciada, ou até para uma verdadeira depressão".
Evocou entre outras medidas "reduções fiscais
dirigidas para aumentar o poder de compra ou
preservá-lo", nomeadamente para os europeus "mais
vulneráveis".
O responsável do Eurogrupo lembrou também o programa
de 25 mil milhões de euros de empréstimos
preferenciais implementado nos Estados Unidos para
ajudar o sector económico.
"Não é pensável, não é razoável, que os europeus não
reajam", disse Juncker. "Os europeus não devem tomar
uma medida idêntica, mas medidas dirigidas para os
sectores industriais", afim de manter "a
competitividade", afirmou.