Público - 25 Nov 05

Especialista defende "bloco de partos" no distrito de Bragança

Ana Fragoso

 

Presidente da SPO considera "um disparate" encerrar
as maternidades

O presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia (SPO), Santos Jorge, afirmou ontem em Mirandela que "encerrar maternidades tendo como único parâmetro o número de partos é um disparate". Num colóquio sobre Maternidades e Demografia, promovido pela Câmara de Mirandela, e perante um auditório repleto de pessoas que marcaram presença no evento como forma de protesto contra o possível encerramento da maternidade da cidade, Santos Jorge defendeu a manutenção das maternidades de Bragança e Mirandela, mas "concentrando o bloco de partos", disse. "Podem manter-se os serviços de apoio às mulheres, o acompanhamento das grávidas, as consultas externas, o ambulatório e, até mesmo, o internamento, concentrando apenas numa única unidade os partos", explicou.
De acordo com as exigências da sociedade actual e com as exigências da legislação internacional, as maternidades devem garantir na assistência às parturientes a presença de obstetras, "no mínimo dois obstetras e um estagiário, em situações de cesariana", anestesistas e um neonatologista. A falta de médicos não permite que todas as maternidades em funcionamento actualmente garantam o número necessário de especialistas naquela área e no futuro o problema pode agravar-se, porque "a média de idade dos médicos e enfermeiros especializados em Obstetrícia está acima dos 60 anos".
A solução pode passar pela concentração "desses médicos" num centro de partos que sirva todo o distrito. "Nada impede que algumas horas depois de realizado o parto, em condições óptimas e com a qualidade exigida, as parturientes não possam regressar ao hospital mais próximo da sua residência", acrescentou.
No distrito de Bragança realizam-se menos de mil partos por ano. Mirandela serve sete concelhos e realiza perto de meio milhar de partos, Bragança serve cinco concelhos e regista pouco mais de 400 nascimentos anuais. Se a questão for avaliada do ponto de vista meramente técnico, "as duas maternidades devem encerrar porque não realizam pelo menos 1500 partos", disse Albino Aroso, o coordenador do estudo sobre a reorganização das maternidades. Mas o próprio admite que, "do ponto de vista social e demográfico, se calhar não devia encerrar nenhuma".
Entretanto, a Câmara de Mirandela mandou fazer dez mil postais com a imagem de um recém-nascido, que vai distribuir pelos munícipes pedindo-lhes que os enviem ao ministro da Saúde em protesto contra o eventual encerramento.

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