Diário de Notícias - 4 Nov 05

 

Dador de esperma descoberto na Net

Elsa Costa e Silva

Um adolescente norte-americano de 15 anos, fruto de inseminação artificial com doação de esperma, conseguiu descobrir o pai biológico através da Internet. O sucesso deste rapaz, que usou ferramentas mais ou menos acessíveis, tem grandes implicações no futuro de milhares de casais ou mulheres solteiras que usaram esta técnica. Em causa está ainda o anonimato dos dadores, que podem ver agora bater à porta filhos desconhecidos.

O jovem de 15 anos limitou-se a recolher uma amostra da mucose bucal e recorrer aos serviços online de uma empresa de análise genealógica por ADN, a que recorrem pessoas para tentar descobrir a sua árvore genealógica. Através da informação relativa ao seu cromossoma Y (que é passado apenas de pai para filho, assim como o sobrenome), o jovem acabou por localizar o pai. Pagou à empresa FamilyTreeDNA.com pouco mais de 250 euros e a sua informação genética foi transmitida a outros clientes. Esperou apenas nove meses.

O pai biológico nunca recorreu a estes serviços, mas bastou que alguém próximo o tivesse feito. Ou seja, alguém com o mesmo pai, avó ou mesmo bisavó. O jovem foi contactado por dois homens, com uma correspondência no cromossoma Y próxima do seu. Havia 50% de hipóteses de os três partilharem um antepassado próximo. Os dois homens não se conheciam, mas tinham o mesmo sobrenome. E essa foi a pista decisiva.

Apesar de o dador de esperma ser anónimo, alguma informação é dispensada. E, neste caso, o jovem sabia a data e local de nascimento do pai biológico. Recorreu a outro serviço online, o omnitrace.com, e verificou todos os homens com o sobrenome dos dois contactos que tinham nascido naquela data e lugar. Apenas um coincidia. E dez dias depois o jovem contactou o pai biológico. Vários especialistas em genética mostraram-se verdadeiramente surpreendidos pelo feito inédito do rapaz, relatado pela revista New Scientist e pela facilidade da pesquisa.

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