Público - 6 Nov 03

Os desafios do envelhecimento dominam congresso em Lisboa
Joana Ferreira da Costa

Aos 65 anos, um português pode ter mais 20 anos de vida pela frente. Serão duas décadas sem trabalho, a viver da reforma, com problemas de saúde cada vez mais graves a que os hospitais e as famílias não conseguem dar resposta.

"A situação é dramática", defende o psiquiatra Marcelo Feio, presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia (APP), organizador do congresso "Envelhecer, uma oportunidade para o Desenvolvimento", que hoje arranca no Fórum Lisboa. Durante três dias, médicos, psiquiatras, representantes de grupos parlamentares e especialistas vão debater os problemas que se colocam aos 1,7 milhões de idosos portugueses e a forma de encontrar soluções para os desafios do envelhecimento.

Calcula-se que, no próximo meio século, uma Europa cada vez mais envelhecida perca cerca de 40 milhões de trabalhadores contribuintes, tendo de enfrentar um número crescente de idosos que viverão mais tempo. "Todos os indicadores apontam para o problema, mas a sociedade e o poder político estão a fechar os olhos à questão", crítica o especialista.

O censo de 2001 mostra que quase um terço das famílias portuguesas têm um idoso a seu cargo e destas, 17 por cento são constituídas apenas por pessoas com mais de 65 anos. "Neste momento há enfermarias de hospitais onde a média etária dos doentes é de 70 anos", diz o presidente da APP. "E se nada for feito, dentro de algum tempo vamos encontrar pessoas mortas dentro de casa, porque não têm ninguém que cuide delas".

Marcelo Feio diz que o problema só será resolvido com "uma ordem nova", uma mudança de comportamentos em relação à terceira idade. Uma ordem que passará por alterações "como o alargamento das portas para a passagem a cadeiras de rodas". Mas que pode começar já através de acções concretas do Governo. "Na Espanha, elaboraram já o 3º Plano Nacional de Gerontologia". 

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