Publico - 5 Nov 03

Quanto Gastam as Famílias Portuguesas com o Ensino Superior?
Por SANDRA SILVA COSTA

As despesas são muito diversas e variam de cidade para cidade, mas ninguém parece ter dúvidas: fica caro ter um filho a estudar no ensino superior. No dia em que milhares de estudantes de todo o país deverão concentrar-se na Assembleia da República para protestar, entre outras coisas, contra o aumento das propinas, o PÚBLICO tenta perceber quanto gastam as famílias portuguesas com a educação superior dos seus filhos.

No caso dos estudantes deslocados, é ao alojamento que cabe a fatia de leão dos encargos familiares. O mercado de arrendamento nas cidades com universidades ou politécnicos é muito variável, mas não é muito fácil encontrar um quarto por menos de 100 euros. Na Invicta, por exemplo, é nas zonas da Asprela e do Campo Alegre, onde se concentram os dois maiores pólos da universidade, que o alojamento é mais caro, mas, em média, adianta o presidente da Federação Académica do Porto, Nuno Mendes, "é possível encontrar quartos entre os 100 e os 175 euros". Já em Lisboa, a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico estima que as rendas cobradas andem à volta dos 200 euros.

A alimentação ocupa o segundo lugar na tabela das despesas. Se os alunos fizerem todas as refeições nas cantinas dos serviços de acção social, durante 21 dias por mês, gastam 37,80 euros - cada refeição custa 1,80 euros. Logo a seguir, aparecem os custos com livros e materiais. Neste capítulo, as licenciaturas das áreas de Ciências são as mais dispendiosas. Só um exemplo: há manuais de Medicina a custar 200 euros. Os chamados cursos de papel e lápis saem mais em conta, mas está praticamente garantido um encargo mensal de 25 euros para materiais.

Na coluna dos custos, as famílias têm ainda que acrescentar os gastos com transportes. Em Coimbra, um passe para viajar dentro da cidade custa 16,80 euros, em Braga varia entre os 13,90 e os 20,60. Os alunos deslocados pagam uma factura mais elevada, dado que suportam ainda os custos dos transportes para as terras de origem.

Não, o inventário ainda não terminou: este ano, as famílias portuguesas terão que abrir um pouco mais os cordões à bolsa, para fazer face ao aumento das propinas. Em lugar dos 356,60 euros em vigor no ano passado, os alunos terão que pagar, na melhor das hipóteses, 463 euros. Mas há universidades que já decidiram cobrar a taxa máxima: 852 euros. Na prática, o aumento pode chegar aos 140 por cento.

Às famílias mais carenciadas, o Estado disponibiliza, através dos serviços de acção social, bolsas de estudo, divididas em seis escalões. Até agora, o valor destas prestações estava indexado ao valor do salário mínimo nacional, 356,60 euros. Para atenuar os efeitos do aumento das propinas, os valores de referência sofreram alterações.

No escalão mais baixo, um aluno receberá 46,3 euros; no mais alto, a bolsa sobe para 367,3 euros por mês. Os alunos bolseiros não têm que preocupar-se com as propinas, já que é o Governo que garante o pagamento da totalidade daquela taxa. No ano lectivo 2002-03, num universo de 248.509 alunos do superior público, 44.442 tiveram direito a bolsa, adianta o Fundo de Acção Social.

Os estudantes podem ainda candidatar-se a um lugar nas residências universitárias espalhadas pelo país. Ao todo, também em 2002-03, estavam disponíveis 11.978 camas. Um mês nas residências universitárias custa, para os bolseiros, 53,50 euros, mas, na prática, estes alunos não pagam nada, dado que recebem um complemento de bolsa naquele valor.

Quanto às cantinas, estavam recenseados, no mesmo ano lectivo, 26.546 lugares.

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