Público - 12 Mar 04

Depressão Atinge 15 a 20 por Cento dos Bebés Que Vão a Consultas
Por LUSA

O pedopsiquiatra Pedro Caldeira estima que entre 15 a 20 por cento dos bebés que frequentam consultas da primeira infância (dos zero aos três anos) em Portugal sofrem de depressão. O médico da Unidade de Primeira Infância do Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital D. Estefânia alertou ontem, do VI seminário sobre a criança e o adolescente, que hoje termina em Viseu, que é preciso estar atento aos sinais dos bebés, uma vez que os sintomas apresentados nem sempre são associados à depressão.

Segundo Pedro Caldeira, os chamados "sintomas ruidosos", como a irrequietude e a hiperactividade, são os sinais mais frequentes da doença, apesar de os pais não os associarem frequentemente à possibilidade de o bebé estar deprimido.

"A depressão pode manifestar-se de formas muito diferentes. Depende dos acontecimentos que levaram a essa situação. Pode manifestar-se por sintomas negativos, como uma certa apatia, desistência, o evitar do olhar, paragem de crescimento e muitas doenças somáticas, mas também com sintomas ruidosos, como as birras muito frequentes, agressividade, a famosa hiperactividade e a irrequietude", sublinhou.

Os que a provoca são "acontecimentos negativos na sua história relacional, nomeadamente descontinuidades, rupturas, perdas, má prestação de cuidados, abandono, indisponibilidade dos prestadores de cuidados para terem trocas afectivas positivas com o bebé".

Pedro Caldeira considera que se tem acentuado o reconhecimento de que os bebés podem entrar em depressão, uma situação que não é um problema apenas dos tempos modernos, mas que não merecia a mesma atenção que actualmente. A unidade onde trabalha Pedro Caldeira - que tem uma equipa multidisciplinar constituída por dois pedopsiquiatras, uma psicóloga, uma enfermeira de saúde mental e uma assistente social - dá apoio aos serviços de internamento da pediatria quando estes o solicitam.

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