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Público - 26 Mar 03
Câmara de Lisboa Cede Espaço para Acolher Grávidas com Problemas
Por ANA BAPTISTA COM LUSA
A primeira casa de acolhimento para grávidas com problemas da associação
Ponto de Apoio à Vida, instituição criada após o referendo nacional sobre
a despenalização do aborto, foi ontem inaugurada em
Lisboa, na Baixa.
Este espaço pode acolher até dez mães - que podem trazer já outros filhos
consigo -, e 16 crianças, dez das quais bebés. A ideia é, além de criar
laços entre a mãe e o bebé, encaminhar as mulheres para centros de
formação profissional, ajudando-as a refazer a sua vida
socio-profissional. As mães só poderão permanecer na casa
no máximo um ano. Mas "se aparecer aqui uma rapariga de
13 anos, não a vamos mandar para a rua aos 14", explica a
assistente social Bárbara Noronha. "Cada caso é estudado individualmente".
A chamada Casa de Santa Isabel, situada no Poço do Borratem, vai funcionar
24 horas por dia, com a ajuda de uma assistente social, da directora do
centro, cinco monitoras, uma psicóloga, enfermeiros e médicos
voluntários.
A associação Ponto de Apoio à Vida existe desde 1998 mas não tinha qualquer
espaço de acolhimento para grávidas. Funcionava em pareceria com outras
instituições de acolhimento, mas o facto de o número de mulheres à
procura deste apoio ser cada vez maior tornou necessária
a criação de um centro deste tipo. "Temos um espaço de
atendimento no Lumiar onde trabalham uma equipa de
médicos, psicólogos, assistentes sociais e voluntários, mas ainda
não tínhamos nenhuma casa de acolhimento", explicou Catarina Sampaio
Soares, da Ponto de Apoio à Vida." A Câmara de Lisboa
conhecia o nosso trabalho e decidiu ceder-nos um espaço".
Os três pisos do edifício foram equipados com recurso a donativos de
empresas, mas as obras ficaram a cargo do Estado, que investe neste
centro, através da Santa Casa da Misericórdia, cinquenta
por cento do orçamento anual da instituição - que é de
cerca de 200 mil euros.
Segundo o director da Ponto de Apoio à Vida, Rui Correia de Oliveira, "esta
casa é um nada ao pé de tudo o que há para fazer ainda". No futuro a
associação espera poder abrir mais casas como esta. A instituição já
apoiou mais de 600 grávidas com dificuldades como a "não
aceitação da gravidez pelo companheiro ou pela família, a
destruição dos laços familiares, o desemprego, os
problemas psicológicos ou físicos", conta Bárbara Noronha.
"Temos uma lista de espera de raparigas para entrar na casa, mas só vão
entrar cinco grávidas, porque ainda só temos seis camas, e uma delas é
para a assistente social", explicou Catarina Sampaio
Soares, não conseguindo precisar o número de mulheres em
lista de espera.
O presidente da câmara espera também que esta casa "seja a primeira de
várias" e reafirmou a disponibilidade da câmara para disponibilizar
outros espaços para este "trabalho de apoio a à vida". Os
hospitais públicos e maternidades vão poder passar a
encaminhar as mulheres para o Poço do Borratem.
São várias as associações de apoio às mulheres grávidas criadas após o
referendo sobre o aborto: Ajuda de Berço, SOS Vida, Associação de Defesa
de Apoio da Vida, Vida Norte e Tudo Pela Vida.

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