Impor, nas escolas, uma única forma de pensar sobre
temas em que está em causa a liberdade de escolha é
um atentado à liberdade e portanto à democracia.
São votados esta semana na especialidade dois
projectos-lei sobre educação sexual nas escolas.
É um tema que tem causado polémica e de que só se
fala, infelizmente, a propósito de outras
discussões, como a do aborto.
Acontece que a educação sexual, por mais que custe
ao Estado centralista e paternalista, que cada vez
mais é o nosso, é um tema que não pode ser abordado
deixando de lado os valores e as opções religiosas,
ou não, das famílias.
É por isso que é um atentado ao direito de educar os
filhos segundo as suas convicções impor uma
disciplina de educação sexual obrigatória, com um
programa definido pelo Estado.
Assim sendo, das duas uma:
- ou a disciplina tem um programa fixo e, então, é
opcional, tendo os pais o direito de decidir se
querem que os seus filhos a frequentem, tal como já
acontece com a Moral e Religião;
- ou a disciplina tem um programa flexível, de
acordo com as convicções religiosas e o quadro de
valores que regem diferentemente as famílias
portuguesas.
A maior conquista da democracia é a liberdade do
indivíduo, rejeitando o pensamento único. Impor, nas
escolas, uma única forma de pensar sobre temas em
que está em causa a liberdade de escolha é um
atentado à liberdade e portanto à democracia.
A democracia não se fez no 25 de Abril. Conquista-se
todos os dias e quem não tem isto em conta corre o
risco de um dia acordar de manhã e dar-se conta que
o Estado já tomou todas as decisões por si.