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Público - 20 Mai 03
Comissária Europeia Elogia Acção do Governo na RTP
Por MARIA LOPES
O projecto de reestruturação da RTP, com a atribuição de um canal à
"sociedade civil", ficando o outro com uma tipologia generalista, é "uma
experiência que pode servir de modelo para outras televisões públicas
europeias". A convicção é da comissária europeia para a Educação, Cultura
e Audiovisual que ontem se reuniu com o ministro da
Presidência, Morais Sarmento, e que em conferência de
imprensa se desfez em elogios à acção do Governo
português em matéria de comunicação social.
Vivane Reding iniciou a sua conversa com os jornalistas ao lado de Morais
Sarmento afirmando-se "impressionada" com o processo "que foi posto em
prática e que será completado pela reforma legal em matéria de televisão
pública". As medidas tomadas em Portugal, acrescentou, "merecem o
respeito e toda a atenção da Comissão".
O ministro precisou que as novas leis da Televisão e do Cinema serão
apresentadas ainda este mês em simultâneo, pois o Governo pretende que
passe a haver uma maior concertação entre os dois
sectores.
Morais Sarmento e a Viviane Reding já se haviam reunido em Bruxelas há
alguns meses, pelo que o encontro de ontem serviu para "fazer o ponto da
situação dos trabalhos" e conversar sobre o andamento da revisão da
directiva europeia sobre a televisão transfronteiras - nomeadamente ao
nível da violência e protecção de menores - que a
Comissão está a levar a cabo e sobre novos conteúdos e
apoios ao cinema.
Acerca da violência na TV, Viviane Reding ressalvou a necessidade de "uma
acção concertada" entre a Comissão e os estados-membros para se evitarem
os "conteúdos nocivos" da violência e da pornografia. "As
regras em vigor já não servem" para a realidade actual,
em que as crianças e jovens "têm tudo ao seu alcance,
através dos jogos de vídeo e da Internet". Uma das maneiras
de evitar que tenham acesso a conteúdos de violência e sexo não passará
pela proibição mas pela "educação", tanto das crianças
como dos operadores de televisão. Ou, acrescentou, pelo
recurso a novas tecnologias, como programas informáticos
que restringem o acesso a determinados "sites".
No caso de Portugal, Morais Sarmento afirmou que a nova Lei da Televisão irá
incluir "horários de protecção" em que a emissão de determinados
conteúdos está proibida e "mecanismos de penalização
efectiva para quem não os cumprir".
A comissária aproveitou também para felicitar Portugal por, apesar de ser
"um país pequeno", conseguir ter na actual edição do Festival de Cannes
quatro filmes a concurso. E adiantou que é intenção da Comissão "ajudar a
criação e a difusão" do cinema europeu e, em última instância "ajudar o
público a ver bom cinema". O ministro afirmou que é intenção do Governo
"abrir o apoio a conteúdos (interactivos e jogos) educativos e positivos
para os mais novos no cinema".
A questão do financiamento do serviço público de televisão também foi
abordada e os dois responsáveis falaram sobre como financiar uma
televisão que não seja um fardo demasiado pesado para os
contribuintes e que ao mesmo tempo seja um televisão
vista pelo público, contou Viviane Reding. Questionado
sobre a pretensão de usar parte da taxa da RDP para sustentar a
RTP, o ministro respondeu que essa continua a ser a intenção do Governo,
o qual conseguiu reduzir, de 2001 para 2002, "14 milhões
de contos" (70 milhões de euros) nas despesas da TV
pública.
Sobre a "nova RTP", Viviane Reding lembrou que "a Comissão apoia a
existência de televisão pública mas deixa aos estados-membros a tarefa de
a financiar e definir o seu modelo de serviço público".
Aplaude que o dinheiro público seja dado a um projecto
"positivo" como o do canal sociedade previsto para a
RTP2, mas realça que "é preciso saber quais as realidades
que se enfrentarão no terreno". No entanto, rematou, a experiência
portuguesa é "extremamente interessante e pode servir de modelo para
outras televisões europeias". Morais Sarmento rejubilou.

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