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Público - 1 Mai 03
Ministério da Educação Quer Reforçar Ensino Profissional
Por ISABEL LEIRIA
Consolidar a oferta de ensino profissional, definir áreas prioritárias de
formação, racionalizar a oferta, garantir a possibilidade de os alunos se
transferirem entre as várias modalidades de educação e criar um novo modelo de
financiamento para as escolas profissionais são algumas das novas orientações
para esta via de ensino, essencialmente destinada à inserção no mercado de
trabalho. Os objectivos constam de um documento orientador que, a partir de
hoje, o Ministério da Educação (ME) coloca à discussão pública.
Definidos que estão os propósitos e características dos cursos gerais e
tecnológicos, o ME revela agora como pretende consolidar o ensino profissional
enquanto verdadeiro percurso alternativo. Tudo isto no âmbito da revisão
curricular do secundário que se inicia, a partir de 2004/05, para os alunos do
10º ano.
O ponto de partida é este: desde o momento em que as escolas profissionais foram
criadas, em 1989, o número de candidatos não parou de crescer e a oferta está
longe de responder à procura. Estima-se que, neste ano lectivo, cerca de dez mil
alunos não tenham conseguido entrar para um destes cursos. As taxas de insucesso
são inferiores às apresentadas pelos alunos dos cursos gerais e dos
tecnológicos. E, num país carente de técnicos intermédios, as taxas de
empregabilidade são, em geral, elevadas.
Ainda assim, Portugal é o Estado da União Europeia com a percentagem mais baixa
de alunos a frequentar o ensino vocacional. Apenas 27,8 por cento estão em
cursos tecnológicos ou profissionais, quando a maioria (54,4 por cento) dos
jovens europeus optam por estas vias. É neste contexto que o Governo quer
"apostar no reforço e reorganização do ensino profissional, reconhecendo o que
de positivo contribuiu para a construção de uma modalidade alternativa de ensino
secundário, nos últimos 14 anos".
Logo à partida, a tutela quer identificar "áreas prioritárias e estratégicas
para o desenvolvimento do país" para, a partir daí, proceder a uma reformulação
da oferta de ensino profissional. Actualmente, são ministrados cursos em 38
áreas e a ideia é aferir da sua adequação aos "perfis profissionais actuais e
emergentes".
De igual forma, pretende-se racionalizar e concertar a rede de oferta, de modo a
que nem formações semelhantes se multipliquem numa determinada zona, nem estejam
completamente ausentes. Por exemplo, se num determinado concelho os cursos
tecnológicos não cobrirem uma área, deve potenciar-se a criação de cursos
profissionais e/ou formações em alternância, seja em escolas profissionais e
centros de formação, seja em escolas secundárias, que poderão também passar a
ministrar o ensino profissional.
Outro dos objectivos do ministério prende-se com a garantia de permeabilidade
entre vias de ensino. A ideia é permitir aos alunos que queiram corrigir as suas
escolhas pós-9º ano alterar o seu percurso a meio. Para isso, define-se um
currículo mínimo que, no que respeita à chamada "componente de formação
sócio-cultural", se assemelha à matriz dos cursos gerais e tecnológicos. Ao
Português, Língua Estrangeira e Educação Física juntam-se as Tecnologias de
Informação e Comunicação, como disciplina comum a todos os cursos.
Para além desta formação sócio-cultural, mantêm-se as componentes científica e
técnica. Esta última inclui a formação em contexto de trabalho (em forma de
estágio ou outra) e a Segurança e Saúde no Trabalho passa a ser matéria
obrigatória. Ao todo, os alunos deverão ter entre 2900 e 3100 horas de formação,
que as escolas distribuirão pelos três anos previstos de duração do curso. Em
princípio, haverá uma ligeira diminuição da carga horária e do número de
disciplinas.
Outra das especificidades do ensino profissional que a tutela quer ver reforçada
traduz-se na organização por módulos, ou seja, "unidades de aprendizagem
autónomas". No final, os jovens terão de continuar a realizar uma Prova de
Aptidão Profissional. O ministério promete ainda pedir a colaboração de escolas,
associações profissionais, entidades certificadoras, especialistas externos,
etc., para a reformulação dos actuais planos de estudo e programas.

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