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Público - 26 Mai 03
Profissão: Professor
Continuo espantado com as reivindicações dos professores de liceu.
Respeito-os muito, até por ter na família vários professores. Mas não
entendo por que razão este grupo de pessoas se acha no direito de ter
emprego estável. Faz-me mesmo confusão. Mais ainda, não entendo como
podem, para além do emprego estável, ainda por cima
reclamar a possibilidade de o terem próximo das suas
residências.
Ser professor de liceu não é um estatuto. É um emprego. Tal como todos os
outros empregos, está sujeito a oscilações de oferta e de procura. Apenas
pode e deve ser exercido quando e onde faz falta.
As pessoas que exercem ou exerceram a função de professor não estão por isso
em posição de reclamar emprego vitalício. Essa possibilidade é aliás a
maior inimiga da eficiência.
Os professores sustentam que têm direito a emprego porque estudaram áreas
que são vocacionadas para a função. Não creio que nenhum curso dê acesso
directo a emprego e muito menos numa determinada zona do país. Não
conheço nenhuma profissão em que isso aconteça.
O que seria agora se os engenheiros e os economistas começassem a exigir do
Estado a possibilidade de trabalhar em Santarém, Faro, Lisboa ou Coimbra,
só porque estudaram essas ciências? Ficaríamos todos
perplexos.
Deverá o Estado ter de garantir empregos para determinadas pessoas e no
local que estas escolhem? Claro que não, a não ser que se trate de
pessoas em clara situação de inferioridade (por exemplo
física ou mental).
Aos professores recomendo que, caso estejam descontentes, procurem outra
saída profissional. É isso que todas as pessoas fazem.
Carlos Rodrigues
Lisboa

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