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Público - 20 Mai 03
Proposta de Lei de Bases do Sistema Educativo É Aprovada Hoje pelo Governo
Por BÁRBARA WONG
A proposta de lei de bases do sistema educativo, preparada pelos titulares das
pastas do Ensino Superior e da Educação, é hoje apreciada em Conselho de
Ministros extraordinário e poderá ficar já pronta para seguir para a Assembleia
da República. Os governantes gostariam que a versão final fosse aprovada até ao
fim do ano parlamentar, que termina em Junho.
"Esta é uma primeira versão", fez questão de sublinhar ontem, aos jornalistas, o
ministro da Educação, David Justino. A proposta de lei poderá ainda sofrer
pequenos reajustamentos, admite.
O alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano é uma das principais
alterações que ficarão consagradas no diploma. Uma medida que entrará em vigor
até 2010. Mas que produzirá efeitos, por exemplo, para os alunos que, em
2005/06, ingressarem no 5º ano do ensino básico e que terão de completar não
nove, como actualmente, mas 12 anos de escolaridade.
Também a reformulação dos ciclos de estudo vai ficar definida: o ensino básico e
o secundário passam a ter uma duração de seis anos cada, passando este último a
iniciar-se no 7º ano. Já o pré-escolar, frequentado pelas
crianças com menos de seis anos, será designado por ensino infantil.
No que diz respeito ao ensino superior, será mantido o sistema binário -
universitário e politécnico. No entanto, os bacharelatos desaparecem e o chamado
1º ciclo de estudos será constituído só por licenciaturas. Em regra, terão a
duração de quatro anos.
Com esta medida, pretende-se responder aos desafios colocados pela Declaração de
Bolonha, cujo objectivo é construir um Espaço Europeu de Ensino Superior, em que
todas as formações sejam comparáveis. Bolonha sugere que o 1º ciclo seja
constituído por formações entre três e quatro anos.
Confrontado com esta questão, o ministro do Ensino Superior, Pedro Lynce,
reafirmou ontem que a lei de bases irá prever que as licenciaturas possam ser
"até quatro anos". "Depois, através de decreto regulamentar é que vai ser
possível fazer reajustamentos, mas nunca na lei de bases", declarou.
Se, no documento orientador, o ministério não previa que os institutos
politécnicos pudessem dar o grau de doutoramento, ontem o ministro deixou essa
porta aberta: "Gostava que nos uníssemos na qualidade. Quando falo de qualidade
é na necessidade que há de as diversas instituições poderem leccionar o 1º, 2º
ou 3º graus [doutoramentos]".
Em relação às críticas lançadas pela oposição, que dizem que o ministério não
está interessado em ouvir os parceiros, uma vez que o período de discussão
terminou anteontem e o projecto de lei será analisado hoje em Conselho de
Ministro, Pedro Lynce aproveitou a ocasião para relembrar que todos os pareceres
e propostas que o ministério tem vindo a receber estão a ser "considerados".
E deu um exemplo concreto: "Ainda esta amanhã [ontem] recebi um fax e vi com os
juristas a possibilidade de o integrar no diploma [que é hoje apresentado em
Conselho de Ministros]". "Estamos trabalhando. Estamos trabalhando", repetiu.

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