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O ambiente
intra-uterino é um dos temas mais apaixonantes, mas também um dos mais
desconhecidos da investigação médica. No entanto, um estudo vem agora
revelar que o bebé é capaz de reconhecer a voz da mãe dentro da bolsa de
águas.
Investigadores da «Queen’s
University», em Ontário, no Canadá realizaram um estudo, tendo como
base 60 mulheres grávidas, com o intuito de descobrir qual a reacção do bebé
ao ouvir a voz da sua mãe. Assim, colocaram cintas de gravação no abdómen
das gestantes, com duas vozes diferentes: a voz da mãe e a voz de uma
estranha.
De igual
modo que o coração de um adulto acelera quando está perto de alguém por quem
sente carinho, o ritmo cardíaco do bebé também aumenta. Para que não
restassem dúvidas, os investigadores observaram as alterações do batimento
cardíaco do feto, que aumentava quando ouvia a voz da mãe, mas diminuía
quando a voz pertencia a uma mulher estranha.
Uma das
autoras do estudo, Barabara
Kisilevsky, ginecologista e obstetra, acredita que o bebé é capaz de
aprender e recordar mesmo antes do seu nascimento, acrescentando que «estes
resultados mostram que o feto ouve e responde a ambas as vozes, concentrando
nelas a sua atenção». Que o feto era capaz de ouvir, após o terceiro mês, já
não restavam dúvidas, mas agora, com este estudo, sabe-se que o bebé também
possui capacidades de responder à voz da mãe.
Já nos anos
50 Alfred A. Tomatis,
investigador e filósofo, estudou as implicações da escuta intra-uterina no
desenvolvimento da linguagem do bebé. Chegou à conclusão que o bebé aprende
dentro do útero, padrões de som e frequências de uma linguagem pertencentes
a uma cultura particular, ou seja, a atenção que o bebé presta à voz da mãe
pode servir como o seu primeiro objectivo de comunicação.
Segundo a
autora do estudo, é possível concluir que «os fetos reconhecem a voz
materna, visto que responderam de uma forma distinta ao ouvirem as duas
vozes» através das alterações do batimento cardíaco. Explica ainda que
«provavelmente os bebés aprendem a linguagem em geral e a sua linguagem
especifica», ainda dentro da barriga da mãe.
É por esta
razão que o bebé ao nascer responde preferencialmente à voz materna, por lhe
ser bastante familiar. A próxima etapa é saber como o bebé responde à voz do
pai e para isso, a investigação vai continuar, juntamente com a colaboração
de obstetras de Hangzhou, na China. Outro dos
objectivos da investigação é determinar até que ponto o bebé consegue, ou
não, distinguir idiomas, como o inglês do chinês. Os resultados da pesquisa
serão publicados na revista «Psychological
Science».
Fonte:
El Mundo |