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Público - 20 Mai 03
Cientistas Não Querem Astrólogos nos "Media" Públicos
Por E.V.
Um grupo de perto de trinta cientistas fez chegar ao ministro da
Presidência, que tutela a comunicação social, à RTP e a outros "media"
públicos um abaixo-assinado insurgindo-se contra o "financiamento de
astrólogos pelo Estado português" naqueles órgãos de informação.
Em causa está a participação de astrólogos em programas do serviço público
mediático, como o caso da Praça da Alegria, que, diariamente, apresenta
uma rubrica em que os telespectadores podem consultar uma
astróloga telefonando para o programa. Os argumentos
invocados pelos subscritores do documento, quase todos na
área da astrofísica e astronomia, prendem-se com a
"incompatibilidade com o rigor orçamental" e a "imoralidade pedagógica" da
situação.
O físico Rui Curado da Silva, da Universidade de Coimbra, um dos promotores
da iniciativa, garante que os cientistas e investigadores envolvidos não
pretendem "estigmatizar as pessoas que acreditam" na astrologia e muito
menos "criar um conflito com a RTP". Mas lembra que as medidas para
controlar as contas públicas passaram, por exemplo, pela "diminuição do
número de bolsas de investigação atribuídas pela Fundação de Ciência e
Tecnologia". Ora, tendo ainda em conta "os comentários do ministro da
Presidência, Nuno Morais Sarmento, sobre os custos de programas culturais
como o Acontece", os subscritores do abaixo-assinado não poderiam
calar-se perante o "contra-senso" que representam os
gastos com "actividades pseudo-científicas, que
contradizem o que se ensina nas escolas, como a
astrologia".
O físico mostra-se especialmente incomodado com o excesso de tempo de antena
dado a certos astrólogos, que acredita ultrapassar largamente a
visibilidade dada na televisão estatal a "todos os
cientistas e instituições de ensino e investigação do
país".
Para Rui Curado da Silva, o fenómeno não pode sequer ser encarado
simplesmente como entretenimento, dado que o que se está a fazer é
divulgar, com destaque, uma actividade não regulamentada
e rejeitada pela ciência.
Até ao fecho desta edição não foi possível ao PÚBLICO obter um comentário da
RTP.

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