Agência Financeira - 2 Jun 04
Famílias numerosas querem abono de 120 euros mensais
por cada filho
Com
natalidade em forte queda
Paula Gonçalves Martins
A Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) quer ver o
abono de família aumentado para 120 euros mensais por cada filho,
independentemente da situação económica do agregado familiar.
A Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) quer ver o
abono de família aumentado para 120 euros mensais por cada filho,
independentemente da situação económica do agregado familiar.
Em declarações ao Diário Financeiro, o presidente da associação,
Fernando Ribeiro Castro, considera que o que existe actualmente «não
é abono nenhum. Aquilo que nós reclamamos é que o Estado faça para o
abono de família as mesmas contas que fez para as propinas da
Universidade, ou seja, actualizar os abonos de família dos preços de
1993 para os preços actuais. Se fizer essa actualização, cada casal
passará a receber 120 euros por filho por mês, independentemente da
sua situação económica».
Este valor é «curiosamente», como acrescenta o presidente,
precisamente «a média dos países europeus». Actualmente, em
Portugal, apenas as famílias que são «não pobres, mas miseráveis»
recebem este valor, e apenas no primeiro ano dos filhos. Depois do
primeiro ano, este valor é também reduzido.
A situação merece especial crítica por parte de Fernando Ribeiro e
Castro no Dia Mundial da Criança, sobretudo numa altura em que a
população portuguesa está cada vez mais envelhecida e em que a
natalidade está em queda.
A posição da associação nesta matéria merece o acordo dos
fiscalistas. Colocada a questão ao fiscalista Saldanha Sanches, o
mesmo afirmou ao Diário Financeiro que a medida mais correcta seria
adoptar o mesmo sistema já utilizado na Alemanha, em que o Estado
paga um determinado valor à família por cada filho que tem, até
porque o sistema actual não penaliza só as famílias numerosas, mas
todas as que têm filhos. «Uma família com um filho apenas pode ser
mais penalizada do que outra com dez, se os seus rendimentos forem
muito inferiores aos da família mais numerosa». Por isso mesmo,
defende, «devia usar-se o abono de família para compensar essas
famílias e também para acabar com as reduções no IRS. O cálculo
desse montante devia ser feito em função do número de filhos, mas
também em função dos rendimentos do agregado familiar», acrescenta.
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